Sobretaxa atingirá cerca de 15% das exportações brasileiras para o mercado americano, o equivalente a US$ 5,8 bi com base em dados de 2025 Dario Durigan afirmou que o governo pretende reforçar apoio aos setores mais afetados pelas tarifas — Foto: Domingos Peixoto/Agência o Globo Com a confirmação da aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros pelos Estados Unidos, o governo prepara uma estratégia para redirecionar as exportações afetadas a outros mercados, como Japão, Canadá e Emirados Árabes Unidos. O objetivo é ampliar o diálogo com parceiros comerciais e mitigar os impactos da medida. A sobretaxa do governo Donald Trump atingirá cerca de 15% das exportações brasileiras para o mercado americano, o equivalente a US$ 5,8 bilhões com base em dados de 2025, segundo informou, na quinta-feira (16), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Dados de 2024 mostram que, antes da primeira rodada de tarifas anunciada por Donald Trump, o impacto chegaria a 18% das vendas brasileiras aos EUA (US$ 7,4 bilhões). A formalização da medida ocorreu na noite de quarta-feira (15), quando o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) publicou a resolução que estabelece a tarifa adicional de 25% a produtos brasileiros. A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, entra em vigor na próxima quarta (22). Em paralelo, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomará consultas ao setor privado para mapear os segmentos mais atingidos e definir eventuais medidas de apoio, repetindo a estratégia adotada após o primeiro tarifaço, em julho de 2025. A avaliação entre interlocutores é que, apesar do endurecimento do discurso de integrantes do alto escalão do governo Trump, como as últimas declarações do secretário de Estado, Marco Rubio, Washington não deve interromper as negociações com o Brasil. A expectativa, contudo, é de que o diálogo perca intensidade até a definição das eleições gerais de 2026. Na quarta-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende reforçar o apoio aos setores mais afetados por meio do programa “Plano Brasil Soberano”, restrito às linhas de crédito. Segundo ele, o volume de recursos ainda está em definição, mas a expectativa é que seja inferior aos R$ 15 bilhões mobilizados anteriormente. Outra frente em análise é a eventual aplicação da Lei da Reciprocidade. O vice-presidente, Geraldo Alckmin, afirmou que o instrumento será utilizado "no momento adequado". A avaliação do governo é que qualquer medida de retaliação deverá ser calibrada para evitar novos impactos sobre setores brasileiros já afetados pelas tarifas americanas. Integrantes do governo também indicam que os Estados Unidos possuem áreas consideradas sensíveis, como propriedade intelectual (patentes) e o setor audiovisual, que podem ser consideradas em eventual resposta brasileira.
Governo planeja redirecionar exportações afetadas pelo tarifaço de Trump a outros mercados
Sobretaxa atingirá cerca de 15% das exportações brasileiras para o mercado americano, o equivalente a US$ 5,8 bi com base em dados de 2025











