[RESUMO] Autor argumenta que, em um período de mudanças estruturais que alteraram a forma de jogar, organizar e viver o futebol, é preciso recusar a nostagia de tempos pregressos da seleção brasileira e apostar em um rumo simultaneamente novo e já totalmente nosso que combine as novas demandas do esporte e o acúmulo histórico, cultural e simbólico do futebol brasileiro.
Quando o árbitro norte-americano Ismail Elfath trilou o apito final no último dia 5, decretou-se não somente o fim do sonho do hexacampeonato do Brasil. Estabeleceram-se, ao mesmo tempo, dois outros fatos grandiloquentes e incontornáveis.
O primeiro deles: a definição de que 2026 foi a pior campanha brasileira em Copas do Mundo desde 1990. A segunda marca é que este já será necessariamente o maior intervalo sem títulos desde que o torneio começou a ser disputado, em 1930, no Uruguai. Se, porventura, em uma contagem otimista, o título vier em 2030, serão os mesmos 28 anos de intervalo entre a primeira Copa e aquela em que, com o aparecimento luminoso de Pelé e Garrincha na Suécia, o Brasil se tornou o país do futebol.
Há, portanto, certa normalidade óbvia na eliminação, um tanto de mais do mesmo no desempenho e no resultado, mas isso não impede que haja também tristeza e nostalgia. Tristeza pelas derrotas, certamente, mas nostalgia de quê?







