Governo argumenta que "nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas" pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) afirmou que um eventual novo tarifaço do governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros seria "injusto". Uma reunião foi realizada hoje entre as equipes do Mdic, do Itamaraty e da Assessoria Especial do Presidente da República com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Foi a quinta reunião de alto nível desde 7 de maio, quando os dois países decidiram estabelecer um grupo de trabalho para tratar do tema. "Na reunião de hoje, foi reiterado o caráter injusto da aplicação das recomendações já divulgadas, seja a resultante da Seção 301 específica para o Brasil, de sobretaxas de 25%, seja a de 12,5% (Seção 301 – trabalho forçado) aplicável a outras 59 economias", afirma o Mdic, em nota divulgada à imprensa. O ministério argumenta que "nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas" pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). "Cumprindo a orientação do Presidente Lula, reiterou-se que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos vir a formular um acordo bilateral mutuamente adequado", completa o Mdic. Nesta quarta-feira (15), acaba o prazo para conclusão da investigação conduzida pelo USTR, com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, sobre supostas práticas anticomerciais brasileiras. Essa investigação pode resultar na aplicação de uma sobretaxa de até 25% sobre produtos brasileiros vendidos para os Estados Unidos. Palácio Itamaraty — Foto: Matheus Costa/MRE