Um dos efeitos da Revolução Francesa, comemorada neste 14 de julho, foi a queda drástica da produção de champanhe, já que a vida de luxo borbulhante era um anátema para os sans-culottes. Foi então que a boêmia popular nas tavernas e cafés tomou o lugar das soirées nos salões aristocráticos como espaço relevante de encontro social.
Assim, as conversas frívolas e espirituosas da monarquia absolutista foram sendo substituídas por discussões políticas exaltadas. No Café de Foy, em Paris, Camille Desmoulins subiu numa mesa e, empunhando a espada numa mão e a pistola na outra, conclamou trabalhadores e burgueses à luta.
Além disso, com a nacionalização dos bens da Igreja e a fuga de muitos nobres, adegas recheadas com as melhores garrafas de vinho foram confiscadas e vendidas em leilões públicos. Tornaram-se opções bem mais palatáveis aos rótulos jovens e baratos entornados pelo povo insurgente. Era a democratização parcial do prazer enológico. Liberdade, Igualdade, Fraternidade e um bom Burgundy.
Outro efeito foi a proliferação de restaurantes e estabelecimentos de comes e bebes, inaugurados por cozinheiros que antes trabalhavam em castelos e mansões, provendo a alta gastronomia particular. Era uma cozinha sem pontes-levadiças, ao alcance de muitos dos nascidos em berços de latão.








