Dividir uma garrafa de vinho é uma arte perdida, que ficou no passado. Pelo menos foi o que li, com espanto e horror, na revista especializada em vinho Wine Enthusiast.
Uma reportagem discorre sobre como, nos EUA, o ato de pedir uma garrafa em um restaurante denota intimidade e pode ser uma experiência "embaraçosa", a depender do estágio em que se está na relação com a companheira ou o companheiro de mesa. Também pode ser visto como algo "pretensioso" e, ainda, "atirado". Vale dizer que as declarações eram de diferentes pessoas, todas na faixa dos 20 anos.
Eu, como já estou mais perto dos 60 do que dos 20, me espantei. Entendo a lógica do comedimento e que razões econômicas também pesam na decisão de não se pedir uma garrafa inteira, mas nada disso foi citado pelos jovens. Puxando pela memória, diria que compartilhar garrafas de vinho aos 20 anos em encontros românticos mais ajudaram que atrapalharam.
A reportagem falava de jovens norte-americanos, mas no Brasil, e especialmente em São Paulo, também ficou menos comum pedir uma garrafa de vinho, o que considero uma pena. É verdade também que hoje temos muitos bares e restaurantes com uma ampla oferta de vinhos por taça e ficar nelas parece um ótimo negócio para quem quer conhecer mais uvas, regiões, ampliar o repertório. Sou uma defensora dessa causa e já escrevi sobre ela. Mas um prazer não invalida o outro. Convenhamos: é muito gostoso compartilhar uma garrafa com quem se gosta.














