Era uma noite romântica e resolvemos abrir um barolo, um presente de aniversário de idade cheia, importante, que estava há alguns meses em casa. Não sabíamos muito sobre aquele vinho, mas sabíamos que era um vinhão. Nós éramos jovens, ele também. Harmonizamos com um filme triste e um queijo parmesão. Notas de desastre.
Este microconto é real e se existiu um culpado para o infortúnio foi a inexperiência: barolo precisa de tempo. Esse tinto italiano cheio de estrutura é um dos maiores vinhos do Piemonte, a região da Itália tida por quem manja de vinho como uma das mais complexas e especiais do país, com poder de atração comparado à da Borgonha.
No norte da Itália, o Piemonte faz vinhos varietais (ou seja, com uma única uva) com castas autóctones. No topo da hierarquia dali está o barolo, um tinto de nebbiolo que foi muito incompreendido. Um dos motivos é seu caráter profundamente tânico e adstringente quando jovem. Acontece que, com anos de garrafa, torna-se um dos mais elegantes encontrados neste planeta. Outro campeão local é o barbaresco, que costuma ser um pouco mais leve e é ideal para os que têm menos paciência, pois atinge seu ponto ideal em menos tempo.
Tida por muitos como a versão italiana da Borgonha, o Piemonte registra muita variação de terroir em seu terreno: poucos metros para qualquer direção e mudam a composição do solo e a exposição solar o que, consequentemente, muda o vinho.








