Em visita ao Rio, nesse dia da Queda Bastilha, Longuère fala para a coluna sobre os vinhos brasileiros que provou: " não são baratos, então é investir na qualidade e nas preferências dos brasileiros 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 'Produtores devem se voltar para o paladar do consumidor brasileiro', diz Mattieu, master sommelier do Cordon Bleu de Londres — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/07/2026 - 14:18 Matthieu Longuère enfatiza qualidade e autenticidade dos vinhos brasileiros em visita ao Rio Matthieu Longuère, master sommelier, destaca em sua visita ao Rio a importância de focar na qualidade dos vinhos brasileiros, que não são baratos, e sugere que produtores busquem adequar-se às preferências locais. Ele expressa interesse em provar mais vinhos do Brasil e ressalta a singularidade dos vinhos naturais, que vêm ganhando espaço por sua personalidade distinta. Longuère valoriza vinhos autênticos, que respeitam suas origens e tradições. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Mattieu Longuère, master sommelier, (o mais alto grau de qualificação que um sommelier profissional pode alcançar) provou e aprovou rótulos brasileiros — Foto: Divulgação Três perguntas para o sommelier francês Mattieu Longuère, que nesse dia de celebração da Queda da Bastilha, à convite do Le Cordon Bleu Rio, comanda o jantar denominado "A Arte da Harmonização". Matthieu é referência internacional na área e obteve o Diploma de Master Sommelier, o mais alto grau de qualificação que um sommelier profissional pode alcançar, um título detido por apenas 279 profissionias no mundo. Mattieu vive em Londres O senhor conhece o vinho brasileiro, tem alguma opinião? Li bastante sobre os vinhos brasileiros, mas muito pouco vinho do Brasil chega ao Reino Unido. O que provei da Miolo era bem elaborado, em um estilo mais maduro. Também experimentei alguns espumantes e um Moscato frisante, todos representativos desse estilo. Pelo que entendo, o vinho brasileiro não é barato, então imagino que, como acontece em outros lugares, os produtores precisem priorizar a qualidade em vez da quantidade, produzindo vinhos voltados ao paladar brasileiro, que talvez prefira rótulos mais maduros, encorpados e que possam ser apreciados sozinhos. No Reino Unido, nessa faixa de preço, os consumidores estão voltando a preferir vinhos mais frescos, com menor teor alcoólico e mais gastronômicos. Não sei se vou conseguir, mas adoraria provar mais vinhos brasileiros durante minha viagem ao Rio de Janeiro e a São Paulo. Os eventos acontecem à noite, então, se eu tiver oportunidade, certamente vou aproveitá-la. "Vinho bem elaborado, um estilo mais maduro" avalia o especialista francês sobre o exemplar da Miolo — Foto: Divulgação Como o senhor vê os vinhos naturais Para mim, os vinhos naturais são como qualquer outra categoria de vinho: existem bons e maus exemplares. O que é certo é que os vinhos naturais têm personalidade, e os consumidores geralmente os amam ou os odeiam — raramente ficam em cima do muro. Isso vem mudando à medida que os produtores de vinhos naturais conseguem elaborar vinhos mais limpos, com adição limitada de sulfitos. Hoje, há menos vinhos com defeitos sendo vendidos como naturais apenas para mascarar problemas de higiene ou falhas na vinificação. Como sommelier ou profissional que recomenda vinhos, basta garantir que o estilo certo seja indicado para o consumidor certo. Quais as suas preferências? Talvez o Brasil entre para essa lista, se eu conseguir provar vinhos suficientes enquanto estiver aqui! De modo geral, o que mais chama minha atenção são produtores que procuram seguir sua própria narrativa, utilizando variedades de uvas nativas, tradicionais ou históricas, elaborando vinhos sem excesso de madeira nova, optando por barris maiores e mais antigos ou por tanques de concreto, preservando a fruta e a estrutura do vinho. Na Europa, penso em países como Grécia, Portugal, Áustria, Itália e Turquia. É possível encontrar grandes vinhos em qualquer lugar. Tudo depende do volume de produção e do canal de distribuição. Se você produz milhões de garrafas, acaba precisando fazer um estilo mais internacional. Mas, se está próximo do consumidor, pode explicar por que o perfil do seu vinho é único e distinto. Também adoro espumantes, especialmente Champagne e outros elaborados pelo método tradicional na Inglaterra, na Espanha e na Itália. Além disso, gosto de rosés encorpados, secos, com influência da madeira, perfil mais gastronômico e coloração mais intensa.