Lojas no Rio já oferecem serviço de ‘sommelier’, ‘caverna’ de cervejas, degustação de vinhos e até escova de cabelo grátis, para fazer consumidor gastar além do básico 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Consumo com informação. A adega, com rótulos importados e consultor de plantão, virou estratégia do Guanabara — Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 13/06/2026 - 18:59 Supermercados do Rio adotam gourmetização para atrair clientes Supermercados populares do Rio estão adotando a "gourmetização" para atrair clientes, oferecendo produtos premium e experiências antes exclusivas de empórios sofisticados. Redes como Prezunic e Guanabara destacam-se com adegas de vinhos, câmaras frias para cervejas e eventos gastronômicos, democratizando o acesso a itens importados e serviços diferenciados, como degustações e aulas de culinária. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em uma manhã movimentada de Botafogo, na Zona Sul do Rio, um cliente abre a porta de uma câmara fria, encara o termômetro perto de zero grau e sai com a cerveja artesanal já geladíssima. Na Barra, na Zona Sudoeste, consumidores coletam massas italianas assinadas pela grife Dolce & Gabbana de uma gôndola. As cenas não são de supermercados exclusivos para quem pode pagar mais por mimos. São parte do cotidiano de redes populares do Rio, onde o “raio gourmetizador” já chegou. Apostando que todo mundo gosta de se sentir exclusivo, essas lojas agora oferecem produtos premium e importados — como queijos e chocolates europeus — junto com experiências e serviços que antes eram exclusividade de elegantes empórios, como um sommelier de plantão, degustação gastronômica e aulas de culinária. A ideia é atrair mais consumidores para a loja, deixando de ser só o local de reabastecer a despensa. Fábio Queiróz, presidente da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) e da Associação das Américas de Supermercados (Alas), observa que o consumo de itens básicos ganhou peso no orçamento das famílias nos últimos anos, com alta da inflação e do endividamento. A ideia é estimular o consumidor a se permitir um pouco mais no mercado, já que foi preciso economizar em outras áreas, como comer fora e focar no básico. Segundo ele, o setor estima que as classes populares deixem, em média, 60% do que ganham nos supermercados. Ao mesmo tempo, as redes populares atraem mais a classe média em busca de melhores preços. Caverna gelada Nas lojas de Botafogo e do Recreio, o Prezunic transformou a compra de cerveja em uma atração à parte. O cliente entra numa câmara fria — a Beer Cave, com termômetro perto de zero grau — e escolhe os rótulos já gelados, prontos para o encontro com os amigos. A ideia é dar a mesma liberdade de escolha na prateleira, só que tudo já no ponto de consumo e com ar de aventura. São 50 rótulos especiais, entre nacionais e importados, e até alguns vinhos que pedem temperatura mais baixa. A adega é outro capítulo da “gourmetização” da rede, que reúne mais de 1.250 rótulos de vinhos, espumantes e uísques. Na dúvida, o cliente conta ali no corredor com um sommelier de plantão. Mário Gabriel Silva, que começou como repositor e virou um desses consultores de vinhos do Prezunic por meio de um processo seletivo interno, conta que os rótulos chilenos e portugueses são os que mais saem após suas conversas: — As pessoas que gostam de vinho gostam de falar sobre. Muita coisa eu aprendi aqui também, com os clientes. A esteticista Regina Lewis é cliente e elogia a curadoria: — Ele é um excelente divulgador. Indica promoções e ainda separa a caixa. Em duas lojas do Prezunic, na Barra, é possível degustar a bebida ali mesmo, no Espaço Unic, com vinho na taça servido com refeições harmonizadas e itens da linha gourmet Cousine & Co., de azeites, conservas e molhos. No açougue, o lançamento é a marca própria de carnes La Hacienda, importada de frigorífico próprio na Argentina. No Guanabara, sinônimo de varejo popular, a “gourmetização” propõe uma viagem gastronômica. A rede ampliou o mix premium e importado para o que o diretor de Marketing, Albino Pinho, chama de “volta ao mundo”: azeites espanhóis e gregos, biscoitos holandeses, peixes portugueses, molhos búlgaros e temperos de vários países. O destaque da vez tem grife. As gôndolas exibem as massas italianas Di Martino com assinatura da luxuosa Dolce & Gabbana e os chocolates belgas Cachet, trazidos com exclusividade pela rede. Em mercado da Barra, macarrão tem a grife Dolce & Gabbana — Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo A adega é outro pilar nas principais lojas do Guanabara. São mais de 500 rótulos de vinhos e espumantes, 300 deles exclusivos, importados de países como Uruguai, Portugal, França, Chile e África do Sul. Os espaços foram renovados sob a curadoria do premiado sommelier Dionísio Chaves, com mais de 30 anos de carreira, e os atendentes recebem capacitação para orientar harmonizações com massas, queijos, chocolates e carnes. A experiência também sai da prateleira: o Festival de Vinhos e Queijos já passou por lojas de Vila Isabel, Niterói e São Gonçalo. A ordem, segundo Pinho, é tirar o premium do pedestal: — O nosso diferencial é democratizar o acesso. No Mundial, o diferencial é a masterclass. Há espaços gourmet em quatro filiais — duas na Barra, uma em Niterói e outra na Ilha do Governador —, com aulas de culinária, palestras, degustações e harmonizações gratuitas. — O supermercado deixou de ser apenas um local de abastecimento e passou a ocupar um espaço de inspiração, descoberta e experiência — diz Vanessa Leite, coordenadora de Marketing da rede. Profissional da área, Isabel Alvares saiu animada — e com a sacola cheia — da loja da Barra na última sexta-feira, com a receita do Dia dos Namorados: — É muito fácil, prática. No Supermarket Barra Blue, do Grupo Torre, uma cozinha gourmet móvel traz um chef que prepara pratos ao vivo, divide dicas e apresenta os ingredientes antes da degustação. A unidade vai além da comida e oferece até serviço de lavagem e escova de cabelo de graça, com horário marcado pela internet e marcas como Elseve e Revlon.