O programa Agora Tem Especialistas, principal aposta do governo Lula para reduzir as filas de consultas, exames e cirurgias no SUS (Sistema Único de Saúde), ampliou a oferta de atendimentos, mas ainda não conseguiu demonstrar que reduziu de forma consistente o tempo de espera dos pacientes, especialmente nos procedimentos de maior complexidade.

Auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União), que analisou mais de 768 milhões de registros de saúde entre 2023 e 2025, mostra que um quarto dos pacientes enfrenta esperas cada vez mais longas —algumas acima de um ano— de cirurgias como para câncer de tireoide, neurocirurgias vasculares, correções de escoliose e paratireoidectomias, para retirada das glândulas que controlam o cálcio do organismo.

Para o tribunal, os casos evidenciam gargalos estruturais relacionados à escassez de profissionais especializados, à concentração da oferta em poucos centros de referência e às dificuldades de organização das redes regionais de atenção.

Gerido pelos governos federal, estaduais e municipais, o Agora Tem Especialistas recebeu R$ 3,3 bilhões em 2025, ano em que o programa foi instituído, para ampliar atendimentos cirúrgicos e ambulatoriais. A auditoria reconhece que a produção cirúrgica aumentou e voltou ao patamar anterior à pandemia em diversas especialidades, mas afirma que esse avanço, por si só, não comprova redução das filas.