Dario Durigan: 'Quero ver o novo posto Ipiranga que a oposição vai apresentar'O ministro da Fazenda afirmou em entrevista ao Estadão/Broadcast que o ministro Fux, do STF, pediu uma saída para a crise do Banco de Brasília (BRB). Gerando resumoBRASÍLIA — O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) descumpriu as metas estipuladas para o tempo de espera por aposentadorias e pensões do Institucional Nacional do Seguro Social (INSS) e pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC) em 2025. Agora, o Executivo busca diminuir a fila em 2026, diante das eleições presidenciais. PUBLICIDADEO levantamento faz parte da prestação de contas do presidente Lula, encaminhada para julgamento do Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo os números do governo, a fila já começou a cair em 2026, mas a situação de 2025 servirá de base para o TCU julgar as contas do presidente do ano passado.O governo justificou a demora por mudanças em regras, acúmulo de demanda e escândalo no INSS. Ao Estadão, o INSS afirmou que o resultado de 2025 “refletiu um período de transição necessário para o aprimoramento das regras e o aumento da segurança jurídica” e que já reduziu o tempo de espera este ano (leia mais abaixo).Governo Lula descumpriu metas estipuladas para o tempo de espera por aposentadorias e pensões do INSS e pelo BPC em 2025. Agora, o Executivo busca diminuir a fila em 2026, diante das eleições presidenciais Foto: Wilton Junior/EstadãoUma das metas do Plano Plurianual (PPA) era reduzir o tempo médio de concessão do BPC, pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, de 119 para 101 dias em 2025. Em dezembro, o tempo médio atingiu 254 dias, mais que o dobro da meta. O indicador mede o tempo entre a entrada do requerimento e a data de concessão. PublicidadePara os benefícios previdenciários do INSS, incluindo aposentadorias e pensões, a meta do governo era reduzir o tempo médio de decisão dos requerimentos de 90 para 44 dias no ano passado. O INSS registrou uma média 62 dias em dezembro, 41% acima do objetivo.A situação reflete a que ponto chegou a espera pela concessão de benefícios no ano passado. Em dezembro, a fila do INSS atingiu 3 milhões de pedidos à espera de análise do governo federal. Os números começaram a cair em 2026. Em março, a espera pela concessão do BPC caiu para 134 dias, mas ainda está acima do objetivo, que é reduzir o prazo para 95 dias em 2026. O tempo para os benefícios gerais do INSS caiu para 48 dias em abril — a meta para 2026 é de 43 dias. Em abril, Lula demitiu o então presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, diante da insatisfação com o andamento da fila. O presidente nomeou Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira do órgão, para o comando do instituto. O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, disse ao Estadão que o objetivo do governo é colocar todos os pedidos dentro do prazo de 45 dias neste ano.PublicidadeGoverno justifica demora por mudanças em regras, acúmulo de demanda e escândalo no INSSNa prestação de contas, o governo citou uma série de fatores para justificar o descumprimento das metas. No caso do BPC, a piora do indicador foi atribuída à suspensão das análises dos requerimentos em junho de 2025, em atendimento a um ofício da Diretoria de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão do INSS. “O objetivo foi o de aguardar a atualização do sistema pela Dataprev, que passou a considerar a renda do Bolsa Família no cálculo da renda familiar, conforme determinado pelo Decreto 12.534, de junho de 2025. O sistema foi atualizado apenas em dezembro de 2025″, disse o governo. No caso das aposentadorias e pensões, a demora foi influenciada pelo aumento da demanda, pela ampliação do estoque de processos dependentes de perícia médica e pela a redução do efetivo nas centrais de análise. Leia maisLula congela gastos para bancar aumento de benefícios do INSS; Ministério da Defesa é o mais afetadoLula congela gastos para bancar aumento de benefícios do INSS; Ministério da Defesa é o mais afetadoO governo citou ainda os impactos da Operação Sem Desconto, que investigou a fraude em benefícios do INSS e exigiu esforços administrativos para cancelar os descontos indevidos e ressarcir quem foi lesado. PublicidadePUBLICIDADEAlém disso, segundo o Executivo, houve atraso na edição da Medida Provisória nº 1.296, de 15 de abril de 2025, que instituiu o Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), em razão da demora na aprovação da Lei Orçamentária Anual. O programa foi criado para acelerar a análise de pedidos, e ainda ficou paralisado em outubro. O INSS enfrentou ainda “restrições orçamentárias, ajustes sistêmicos decorrentes de mudanças legislativas e instabilidades no Sistema Integrado de Benefícios (Sibe)”, de acordo com o governo. INSS diz que demora em 2025 refletiu período de transição e que já reduziu tempo de espera em 2026Ao Estadão, o INSS afirmou que o resultado de 2025 “refletiu um período de transição necessário para o aprimoramento das regras e o aumento da segurança jurídica na Seguridade Social brasileira.”O governo determinou, em junho de 2025, a suspensão temporária de novos requerimentos para viabilizar a a aplicação segura de novas diretrizes da norma que determinou a inclusão da renda do Bolsa Família no cálculo familiar no BPC e no Cadastro Único (CadÚnico), segundo o INSS. Publicidade“As alterações demandaram a realização de significativos desenvolvimentos e ajustes nos sistemas informatizados responsáveis pelo processamento dos pedidos, notadamente para viabilizar a aplicação automatizada das novas regras, a integração com bases de dados governamentais para validação automática das informações, bem como a criação de rotinas específicas para tratamento de situações que não se enquadram nas regras gerais”, disse o instituto.O INSS afirmou ter iniciado imediatamente o processamento da demanda represada sob novas regras de governança. O tempo médio de concessão do BPC para idosos caiu para 82 dias em abril deste ano, já abaixo da meta estipulada de 101 dias. O BPC para pessoas com deficiência, por outro lado, caiu para 134 dias, ainda acima da meta, mas, “mantendo forte tendência de queda”, segundo o órgão. Despesas com Previdência superam R$ 1 tri e pressionam contas públicasA situação impacta diretamente as contas públicas. Os benefícios previdenciários custam mais de R$ 1 trilhão por ano para o governo e representam a maior despesa obrigatória da União. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, em entrevista ao Estadão/Broadcast, que o governo precisa promover uma “otimização” de gastos sociais para espaço a investimentos para abrir espaço a investimentos. PublicidadeNo mês passado, o governo verificou um aumento de R$ 14,1 bilhões na previsão de gastos do BPC e de R$ 11,5 bilhões em aposentadorias e pensões do INSS em 2026, o que levou a um bloqueio adicional de despesas com custeio da máquina, investimentos e emendas. Além do impacto nas contas, a situação preocupa o governo em ano eleitoral, e a ordem do Palácio do Planalto é acelerar a análise e a concessão de benefícios. Uma das medidas anunciadas recentemente foi a renovação do bônus pago a peritos para as avaliações. Rombo da Previdência atinge R$ 320,97 bi em 2025 e deve crescer ainda mais nos próximos anosO Regime Geral de Previdência Social registrou um déficit de R$ 320,97 bilhões em 2025, diante do aumento real (descontada a inflação) de 4,1% no pagamento de benefícios previdenciários em relação a 2024 - o que representou um acréscimo de R$ 41,4 bilhões nos gastos, segundo a prestação de contas. O governo atribuiu o aumento à valorização do salário mínimo, que impacta diretamente o valor dos benefícios, ao crescimento vegetativo do número de beneficiários e concessões e ao empenho com sentenças judiciais, que cresceu 40,98%, atingindo R$ 24,6 bilhões. PublicidadeSegundo o Executivo, as receitas previdenciárias serão insuficientes para a cobertura das despesas nos próximos 75 anos. Mantendo-se as mesmas condições atuais, haverá um crescimento ainda maior do déficit previdenciário. O governo estima que o rombo da previdência vai crescer de 2,59% do PIB em 2026 para 11,34% do PIB em 2100. O déficit chegaria a R$ 1 trilhão em 2041 e atingia R$ 30 trilhões em 2100.
Governo Lula descumpre metas com filas do INSS em 2025 e tenta agilizar benefícios em ano eleitoral
Objetivo era reduzir tempo de concessão do BPC para 101 dias em 2025, mas espera atingiu 254 dias; para benefícios em geral, alvo era de 44 dias e espera foi de 62; governo diz que prazos já caíram em 2026












