Apesar de concentrar a maior rede pública de saúde do país, São Paulo aparece como um dos principais obstáculos para que o Ministério da Saúde consiga acompanhar, em escala nacional, as filas de consultas, exames e cirurgias do SUS. Isso ocorre não só por baixa adesão aos sistemas federais, mas porque o estado está praticamente ausente da base de dados que o próprio ministério usa para medir o problema.

Auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre o programa Agora Tem Especialistas, principal iniciativa da gestão Lula para ampliar consultas, exames e cirurgias especializadas, mostra que a RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde), o sistema federal que deveria consolidar essas informações, capturou apenas 6,8% da produção de cirurgias eletivas do SUS em 2024 —de cada 15 cirurgias realizadas no país, apenas 1 está registrada na base nacional.

Essa lacuna se concentra justamente onde mais se opera. Os cinco estados de maior volume cirúrgico do país —São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia— respondem juntos por 55% de toda a produção cirúrgica eletiva nacional, mas têm cobertura combinada na RNDS inferior a 1%.

Para o relator do processo, ministro Bruno Dantas, esse "apagão" nos estados mais populosos compromete qualquer leitura nacional sobre filas.