O Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI) do HC de São Paulo é uma das prioridades do Ministério da Saúde para dar eficiência ao atendimento de milhares de usuários e diminuir as filas Avançar na transformação digital do Sistema Único de Saúde (SUS) é prioridade do Ministério da Saúde para dar eficiência ao atendimento de milhares de usuários e diminuir as filas. São várias iniciativas e uma das principais é a construção do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), além da instalação de 14 UTIs digitais em 13 Estados e a modernização de seis hospitais de referência do SUS. Essas unidades vão receber sistemas de inteligência artificial (IA) apoiando a medicina de alta precisão no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. A iniciativa começou com a assinatura, no fim de 2025, de um empréstimo de R$ 320 milhões do Novo Banco de Desenvolvimento (antigo banco dos Brics) para a implantação do primeiro hospital inteligente no Brasil em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP). “Estamos na fase de qualificação de uma organização social que será responsável pela construção com a abertura de um edital e o recebimento de manifestações de interesse”, afirma Adriano Massuda, secretário-executivo do Ministério da Saúde. O cronograma prevê a implantação, entre 2025 e 2028, de 800 leitos, todos voltados ao atendimento público por meio do SUS, incluindo 250 leitos de emergência, 350 leitos de terapia intensiva e 25 salas cirúrgicas e previsão de operação em 2029. “A capacidade estimada inclui atendimento de cerca de 200 mil pacientes por ano apenas no Departamento de Emergência, além da realização de 25 mil cirurgias anuais. “O ITMI será o primeiro grande hospital público 100% SUS estruturado desde sua origem em um modelo de ‘smart healthcare’, integrando inteligência artificial, conectividade hospitalar, medicina crítica, pesquisa e ensino”, ressalta Ludhmila Hajjar, professora de emergências, presidente do comitê gestor de UTIs do HCFMUSP e diretora do ITMI. Ludhmila Hajjar, presidente do comitê gestor de UTIs do HC: Conexão com Samu e UTIs vai reduzir tempo de diagnóstico e ampliar precisão clínica — Foto: Foto: Divulgação Entre as tecnologias previstas estão as UTIs inteligentes e automatizadas; integração em tempo real entre ambulâncias, pronto-socorro e terapia intensiva; sistemas 5G e backbone óptico hospitalar; inteligência artificial aplicada ao diagnóstico; suporte à decisão clínica e triagem assistida por IA; monitoramento por dispositivos vestíveis e telemetria; imagem médica assistida por IA; datacenters e governança de dados clínicos. “O projeto contempla algoritmos capazes de reduzir o tempo diagnóstico em situações críticas, ampliando precisão clínica, segurança do paciente, dando maior eficiência assistencial no SUS”, afirma Hajjar. As UTIs inteligentes serão conectadas por plataformas de internet das coisas (IoT) em saúde de monitoramento contínuo, integração em tempo real entre ambulâncias, pronto-socorro e terapia intensiva, além de sistemas de apoio à decisão clínica baseados em IA. “O projeto prevê ainda um Critical Care Command Center, capaz de centralizar e monitorar dados clínicos, equipamentos e fluxos assistenciais em tempo real”, afirma Hajjar. O terreno doado pela SES-SP fará parte do complexo do Hospital das Clínicas, na capital paulista, com a mudança do centro administrativo para um outro local para dar lugar à nova instituição de saúde. A localização foi definida, segundo Hajjar, para ampliar a integração entre assistência, ensino, pesquisa e inovação, fortalecendo a conexão com a estrutura acadêmica e hospitalar do HCFMUSP. “O conceito arquitetônico contempla infraestrutura, conectividade de alta capacidade, sustentabilidade operacional, logística hospitalar e integração digital entre os diferentes níveis assistenciais do SUS”, afirma Hajjar. A falta de definição sobre a localização exata do ITMI, porém, tem preocupado a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC). A presidente da associação, Helena Dutra Lutgens, aponta que será necessário investimento extra de R$ 170 milhões para garantir o funcionamento dos laboratórios do Instituto Adolfo Lutz (IAL), que faz parte do complexo, considerando a transferência de estruturas de pesquisa de quatro prédios para um novo endereço. “A criação do hospital inteligente é um salto de qualidade para a saúde pública, mas será necessário um planejamento por parte do governo de São Paulo sobre como ficarão as pesquisas realizadas no Instituto Adolfo Lutz, sob o risco de comprometermos o funcionamento de uma das mais importantes instituições de pesquisa em saúde do país”, afirma a presidente da APqC. Helena Dutra Lutgens, da APqC: Iniciativa é salto de qualidade, mas é preciso preservar o Adolfo Lutz — Foto: Foto: Divulgação A implantação da rede de 14 UTIs começou com o diagnóstico da estrutura dos hospitais que receberão as unidades. Foram analisadas a organização assistencial, a capacidade instalada e o potencial de incorporação de soluções tecnológicas. “Dos 14 hospitais mais antigos, seis já estão mais avançados nesses critérios e em fase de compra dos equipamentos necessários para infraestrutura, para que as unidades comecem a operar ainda neste ano”, diz Massuda. O hospital inteligente será conectado às 14 UTIs e à atividade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), facilitando a conexão direta dos profissionais que fazem o primeiro atendimento com a UTI de destino e decisões clínicas rápidas durante o atendimento. “Essa iniciativa amplia a possibilidade de aperfeiçoar os serviços assistenciais em hospitais de atenção primária da saúde, conectando profissionais experientes de diferentes especialidades”, diz Massuda. O ITMI é parte da estratégia de acelerar a digitalização do SUS apoiado pela Secretaria de Informação e Saúde Digital e será referência na adoção de novas tecnologias para toda a rede. “A estratégia inclui parcerias para o desenvolvimento e transferência de tecnologia, ampliando a capacidade produtiva de equipamentos médicos e desenvolvimento de vacinas”, diz Massuda. O Ministério da Saúde está firmando acordos de transferência de tecnologia com países como China, Índia e Coreia do Sul.