“Investimos na organização e integração da Rede Nacional de Dados em Saúde para torná-la uma plataforma que conversa com vários sistemas de saúde e consolida dados relevantes do paciente”, diz Ana Estela Haddad, secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde A digitalização do Sistema Único de Saúde (SUS) tem como pré-requisito a organização das informações para que sejam facilmente acessadas por toda a rede de Unidades Básicas de Saúde (UBSs), hospitais e laboratórios e garantir a continuidade do tratamento do paciente. Esse trabalho de “limpeza” e consolidação de dados de diferentes sistemas foi liderado pela Secretaria de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde (Seidigi/MS). Para acessar os dados básicos do paciente, o profissional de saúde da UBS precisava cruzar vários sistemas e estatísticas. “Investimos na organização e integração da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), desenvolvida e operada pelo DataSUS, para torná-la uma plataforma interoperável, que conversa com os vários sistemas de saúde e consolida dados relevantes do paciente”, explica Ana Estela Haddad, secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde. A plataforma RNDS permite que laboratórios, hospitais públicos e privados, farmácias e postos de saúde compartilhem informações de forma segura. A partir da consolidação desses dados, por exemplo, foi possível o lançamento do aplicativo Meu SUS Digital (antigo ConecteSUS) para o paciente, incluindo a carteira e histórico de vacinação, exames e localização de unidades de saúde e fila de transplante de órgãos. “A Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), desenvolvida e operada pelo DataSUS, conversa com os vários sistemas de saúde”, diz a secretária Ana Estela Haddad — Foto: Foto: Divulgação O DataSUS, segundo a secretária, criou mais de 400 sistemas de informação, prontuários e atenção primária com dados fragmentados, em que cada sistema acompanhava um tema separadamente. “A consolidação facilitou a continuidade do cuidado do paciente em todas as unidades, além de auxiliar políticas públicas e a vigilância sanitária”, explica. Só para se ter uma ideia do crescimento dessa base de dados, em 2023 a RNDS tinha sete milhões de registros, hoje são 4,6 bilhões. “Uma mudança importante foi adotar o CPF [Cadastro de Pessoa Física] como identificador prioritário na saúde pública, facilitando a identificação correta dos usuários e reduzir inconsistências cadastrais”, diz Haddad. Com o repasse em 2024 de R$ 464 milhões do Ministério da Saúde para apoiar Estados e municípios na elaboração dos planos de ação de transformação da saúde digital, o sistema avançou. E há bons prognósticos para melhorar a conectividade, condição essencial para que a saúde digital chegue na ponta e a rede tenha acesso a ferramentas como o prontuário eletrônico, RNDS, telessaúde, telediagnóstico, teleconsultoria e monitoramento digital. Segundo a secretária de Informação e Saúde Digital, o Ministério da Saúde lançou um edital com recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), que prevê investimento de até R$ 100 milhões para conectar até 3,8 mil UBS em 26 Estados e no Distrito Federal. Em torno de 90% das UBS já estão conectadas.