A pandemia de covid-19 e os alertas sobre ameaças virais como Ebola, Nipah e Hantavírus reforçam uma preocupação global e recorrente: como saberemos quando uma nova doença começará a se espalhar? No Brasil, onde surtos de doenças como dengue, chikungunya e outras infecções são frequentes, essa capacidade pode ser decisiva para reduzir impactos sobre a população e os serviços de saúde.
Em um estudo recente, avaliamos o desempenho do Sistema de Antecipação de Surtos com Potencial Pandêmico (ÆSOP), atualmente em implementação pelo Ministério da Saúde. O sistema utiliza dados da Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde e de vendas de medicamentos isentos de prescrição (MIP), como descongestionantes nasais, para identificar sinais precoces de surtos.
O estudo, publicado na revista npj Digital Public Health, mostrou que o sistema antecipou aumentos de hospitalizações por doenças respiratórias em até três semanas em cerca de 60% dos episódios, além de identificar casos leves antes que seu impacto fosse visível nos hospitais.
Sintomas comuns que podem confundir
Mapear os primeiros sinais de transmissão é um grande desafio da saúde pública, mas ganhar dias ou semanas de vantagem pode fazer muita diferença para organizar a assistência, direcionar investigações epidemiológicas e reduzir o impacto de um surto.








