Prédio do Mitsubishi UFG Financial Group (MUFG) — Foto: Reprodução/MUFG O Mitsubishi UFJ Financial Group (MUFG) tornou-se, pela primeira vez, a empresa de maior valor de mercado do Japão, um marco para o maior banco do país e um reflexo da recuperação do setor financeiro após décadas de juros baixos e estagnação econômica. No fechamento de segunda-feira (13), a capitalização de mercado do MUFG atingiu 42 trilhões de ienes (US$ 259 bilhões), superando a fabricante de chips de memória Kioxia Holdings e a Toyota Motor. Durante o pregão, as ações chegaram a avançar quase 3% e encerraram o dia a 3.541 ienes, um recorde histórico. "Os papéis ligados à inteligência artificial e aos semicondutores estão muito valorizados, o que aumenta o risco de uma correção. Já no caso do MUFG, espero maiores retornos aos acionistas com a alta dos juros", afirmou um investidor da província de Osaka. A valorização reflete a expectativa de que o aumento das taxas de juros pelo Banco do Japão (BoJ) impulsione a rentabilidade dos bancos por meio da expansão das margens de crédito. Mesmo com a queda do índice Nikkei em meio às tensões no Oriente Médio, as ações do MUFG seguiram na contramão e avançaram. Segundo levantamento do "Nikkei Asia", é a primeira vez desde 1986 que um banco ocupa o posto de empresa japonesa de maior valor de mercado. Na ocasião, a liderança pertencia ao então Sumitomo Bank, hoje parte do Sumitomo Mitsui Financial Group. O setor bancário japonês perdeu protagonismo após o estouro da bolha imobiliária e financeira no início da década de 1990. A crise deixou os bancos sobrecarregados por empréstimos inadimplentes, levando o governo a realizar aportes públicos e estimulando uma ampla reestruturação do sistema financeiro nos anos 2000. O próprio MUFG nasceu em 2005 da fusão entre o Mitsubishi Tokyo Financial Group e o UFJ Holdings. Durante anos, a combinação de deflação e juros próximos de zero limitou os lucros do banco. Em 2011, seu valor de mercado chegou a ficar abaixo de 5 trilhões de ienes, no mesmo ano em que o terremoto e o tsunami devastaram o nordeste do Japão. A mudança começou a ganhar força após o Banco do Japão abandonar a política de juros negativos, em 2024. Além do novo cenário monetário, o MUFG também transformou sua estrutura de receitas. Se antes os financiamentos ao setor imobiliário doméstico eram a principal fonte de lucro, no ano fiscal de 2025 mais da metade do lucro líquido passou a vir de operações nos Estados Unidos e em outros países da Ásia. Entre os principais motores desse crescimento está a participação adquirida no Morgan Stanley durante a crise financeira de 2008, responsável atualmente por cerca de 20% a 30% do lucro líquido do grupo. O banco também ampliou sua presença na Ásia por meio de aquisições e fortaleceu negócios de gestão de ativos e outras atividades menos dependentes do crédito. Segundo Nana Otsuki, pesquisadora sênior da Pictet Asset Management Japão, a recuperação das ações dos bancos reflete tanto a demanda por crédito das empresas japonesas quanto a expansão internacional das instituições financeiras. Para ela, o fato de o MUFG assumir a liderança em valor de mercado simboliza que o banco conseguiu superar os chamados "30 anos perdidos", período de baixo crescimento que sucedeu o colapso da bolha econômica japonesa. Apesar do avanço, a distância em relação aos maiores bancos globais ainda é significativa. O JPMorgan Chase tinha valor de mercado próximo de US$ 900 bilhões no dia 10 de julho e retorno sobre patrimônio (ROE) em torno de 16%, acima dos 11% registrados pelo MUFG. Com a valorização recente, o MUFG passou a ocupar a oitava posição entre os maiores bancos do mundo em valor de mercado. A meta da instituição é entrar no grupo dos cinco maiores. Em entrevista ao "Nikkei Asia" neste mês, o presidente do MUFG, Junichi Hanzawa, afirmou que o objetivo é elevar o retorno sobre o patrimônio líquido para cerca de 15% no médio e longo prazo. Apesar do otimismo dos investidores, executivos do banco reconhecem que o ciclo de alta dos juros não será permanente. "O verdadeiro teste da nossa gestão virá quando as taxas de juros pararem de subir", afirmou um executivo do MUFG.