Sede do grupo japonês Mitsubishi UFJ Financial Group (MUFG) — Foto: Reprodução/MUFG Os três maiores bancos do Japão devem distribuir, juntos, mais de 2 trilhões de ienes (US$ 12,4 bilhões) em dividendos pela primeira vez neste ano fiscal, impulsionados pelo aumento das receitas com empréstimos após o fim da política de juros negativos do Banco do Japão (BoJ), encerrada há três anos. Mitsubishi UFJ Financial Group (MUFG), Sumitomo Mitsui Financial Group (SMFG) e Mizuho Financial Group estão entre as dez empresas listadas de maior valor de mercado do país. Ao mesmo tempo, a redução das participações acionárias cruzadas entre companhias fortaleceu o peso dos investidores individuais, ampliando a pressão por uma maior distribuição de lucros. Os dividendos dos três grupos devem somar entre 2,1 trilhões e 2,2 trilhões de ienes (entre US$ 13 bilhões e US$ 13,7 bilhões) no exercício que termina em março de 2027, alta de cerca de 10% em relação ao ano anterior e o dobro do registrado três anos atrás. No caso do MUFG, a remuneração aos acionistas deve superar 1 trilhão de ienes (US$ 6,2 bilhões) pela primeira vez desde a criação do banco, em 2005. O lucro líquido combinado dos três megabancos ultrapassou 5 trilhões de ienes (US$ 31 bilhões) no ano fiscal de 2025, beneficiado pelo aumento da receita financeira decorrente da elevação dos juros. A forte demanda corporativa por crédito — para operações de fusões e aquisições e investimentos produtivos, entre outras finalidades — contribuiu para que os três grupos registrassem resultados recordes. Durante anos, os dividendos dos grandes bancos cresceram lentamente. No exercício fiscal de 2022, antes do BOJ abandonar a política de juros negativos, o total distribuído girava em torno de 900 bilhões de ienes (US$ 5,6 bilhões). Com a melhora da rentabilidade, também aumentou a capacidade dessas instituições de remunerar seus acionistas. A taxa de retorno total ao acionista — indicador que mede a parcela do lucro líquido devolvida aos investidores por meio de dividendos e recompra de ações — alcançou entre 50% e 60% nos megabancos japoneses, acima da mediana de cerca de 40% observada entre as empresas listadas do país. Nos últimos três anos, o crescimento dos dividendos desses bancos também superou a média do mercado japonês. Na terça-feira (16), o Banco do Japão elevou sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 1%, o maior nível desde 1995. Os bancos costumam aumentar a remuneração das contas de poupança em linha com os ajustes promovidos pela autoridade monetária. No entanto, os juros pagos aos depositantes avançam menos do que as taxas cobradas em empréstimos a empresas e consumidores. Como resultado, os ganhos proporcionados pelo ciclo de alta dos juros têm sido direcionados de forma mais generosa aos acionistas do que aos correntistas.