Fachada de unidade do grupo japonês Mitsubishi UFJ Financial Group (MUFG) — Foto: Reprodução/MUFG O Mitsubishi UFJ Financial Group (MUFG) iniciou uma guinada estratégica para deixar para trás os anos de reestruturação forçada pelos juros negativos e focar na expansão dos negócios. Em entrevista ao jornal Yomiuri Shimbun, o novo presidente e CEO do maior conglomerado financeiro do Japão, Junichi Hanzawa, que assumiu o comando em 1º de abril, afirmou que o grupo vive um ponto de virada e planeja transformar novos desafios em metas financeiras tangíveis. O grande objetivo de longo prazo de Hanzawa é ambicioso: traçar o caminho para colocar o MUFG entre as cinco maiores instituições financeiras do mundo em valor de mercado, resgatando uma meta traçada há duas décadas, quando o grupo completou seu 20º aniversário. Para atingir esse patamar, o executivo defende uma mudança de postura na relação com o ecossistema corporativo. Segundo ele, o banco deixará de ser apenas um fornecedor de serviços financeiros acionado na fase final dos projetos para atuar lado a lado com as empresas desde a concepção de suas estratégias de negócios. Na rede física de atendimento, a ordem é apostar na customização regional em vez de manter um modelo padronizado para todo o país. Como parte dessa estratégia, o MUFG está lançando o conceito "M-tto Square", agências desenhadas para funcionar como polos de consultoria presencial focados em gestão de fortunas e planejamento sucessório — demandas que seguem em alta mesmo com o avanço dos canais digitais. O grupo também estuda selar parcerias com empresas de outros setores nesses espaços. No front financeiro, o MUFG busca elevar seu Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) para a casa dos 12%. O principal motor dessa expansão deve vir da divisão de gestão de ativos e serviços a investidores, que hoje responde por uma fatia modesta do lucro operacional (entre 5% e 6%) e tem como meta atingir os dois dígitos. Para acelerar esse crescimento, Hanzawa confirmou que o banco avalia fusões e aquisições (M&A) tanto no mercado doméstico quanto nos Estados Unidos. A estratégia além-fronteiras continuará concentrada na Ásia e no mercado americano, segundo a reportagem do jornal japonês. Na Índia, o plano é extrair o máximo valor do investimento recentemente concluído na Shriram Finance. Já no Sudeste Asiático, a prioridade será estimular a colaboração entre as empresas que já compõem o portfólio do grupo para abrir novas frentes de receita, com destaque para o segmento de wealth management (gestão de patrimônio) em países como a Tailândia, onde o setor bancário local passa por uma reorganização. Olhando para o futuro, Hanzawa prevê uma fusão cada vez maior entre o ecossistema financeiro e serviços cotidianos. O executivo projeta um cenário em que inteligências artificiais farão reservas de viagens e os pagamentos serão processados de forma invisível e integrada pelo banco, o que exigirá que o MUFG desenvolva expertise ou feche alianças em setores totalmente alheios às finanças tradicionais.
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