Desigualdades, violências, pressão sobre os sistemas de saúde e de justiça, desafios econômicos. Muitos dos principais problemas apontados pelos eleitores são alimentados pela baixa priorização do investimento público em crianças e adolescentes. Nessa etapa decisiva do desenvolvimento, cada privação tem impacto profundo e reflexos por toda a vida.
Garantir nutrição, educação, saúde, proteção, assistência social, esporte, cultura e lazer a toda essa população traz retornos imediatos a um quarto da população e melhora a vida de suas famílias. Como demonstram pesquisas, priorizar infâncias e adolescências é também a escolha mais racional para o desenvolvimento nacional.
Não por acaso, o Brasil fez essa escolha há quase quatro décadas, ao inscrever no artigo 227 da Constituição o dever do Estado, da família e da sociedade de assegurar, com prioridade absoluta, os direitos de crianças e adolescentes. A distância entre essa determinação e a realidade dos 53 milhões de brasileiros abaixo de 18 anos, porém, aparece em qualquer indicador, com prejuízo especial para meninas e para os pobres, negros, indígenas, com deficiência, periféricos, de áreas rurais e comunidades tradicionais.
Crianças e adolescentes representam 40,7% das pessoas em pobreza monetária e, pela ótica multidimensional, 55,9%. Em 2024, 28,9% dos domicílios com moradores de até 18 anos viviam em insegurança alimentar, e 1,65 milhão de crianças e adolescentes estavam em trabalho infantil, segundo o IBGE. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, mais de 87 mil casos de estupro foram registrados em 2024; desses, 77% das vítimas tinham até 17 anos. Enquanto as mortes violentas caíam no país, cresciam 3,7% entre a população de 0 a 17 anos.






