A descoberta da Polícia Federal sobre a captura de emendas ao Orçamento em proveito de Valdemar Costa Neto vai além de prejuízo que o presidente do PL possa causar à candidatura presidencial do partido, na figura de Flávio Bolsonaro.
Diz respeito, sobretudo, ao poder dos dirigentes partidários em relação à distribuição de verbas públicas. Fala-se em uso "irregular", mas o que se tem nos apontamentos da PF é o relato de uma ilegalidade das mais graves, que traduz o alcance do controle dos comandos dos partidos sobre as atribuições do Legislativo.O mando de fora do campo regulamentar evidenciou-se também na decisão do ministro Flávio Dino sobre o ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG) que, assim como Valdemar, teve bloqueados seus milhões em contas e bens adquiridos com dinheiro destinado a emendas de uso exclusivo —e atualmente abusivo— de parlamentares.
A influência dos burocratas de partidos aumentou muito desde que as campanhas eleitorais passaram a ser financiadas por dinheiro público. Recursos que neste ano vão à casa dos R$ 6 bilhões se somados os fundos partidário e eleitoral.
Verbas controladas pelas cúpulas das legendas, que deixaram o papel de estrutura administrativa para assumir a primazia exclusiva na distribuição do dinheiro para as campanhas de deputados e senadores.














