O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, admitiu que os cortes na empresa podem chegar a 100 mil na Alemanha para igualar a competitividade das rivais. A afirmação foi feita em memorando interno enviado aos funcionários e é a primeira vez que a empresa, que havia se recusado a comentar sobre os cortes, confirma estar considerando um corte dessa dimensão. No Brasil, a montadora afirma que não há previsão de demissões.

Blume tenta acelerar a reestruturação da maior montadora da Europa, cujos lucros vêm sendo pressionados pelos bilhões de euros em custos com tarifas, pela forte concorrência na China e pela necessidade de tornar a rede de fábricas na Alemanha mais eficiente.

A empresa já acertou o corte de 50 mil vagas em todo o grupo, incluindo as subsidiárias Porsche e Audi, mas ainda precisa reduzir custos. Segundo o memorando obtido pela Reuters, a montadora calcula operar com uma desvantagem de cerca de 20% em relação a concorrentes comparáveis.

"Atualmente estamos avaliando, em todas as marcas, empresas e regiões, quantos ajustes são realmente necessários e viáveis", afirmou Blume no comunicado.

O memorando foi divulgado após representantes dos trabalhadores cobrarem explicações da administração sobre os planos de reestruturação que Blume apresentou ao conselho de supervisão da empresa na última quinta-feira (9).