A postura altiva e explicitamente apaixonada de Jocasta na releitura do britânico Robert Icke para a tragédia "Édipo Rei", de Sófocles, surpreendeu a atriz Clarisse Abujamra e provocou um questionamento intenso nos primeiros dias de ensaio do espetáculo, dirigido por Clara Carvalho.

"Eu não sei quem é ela. Eu não sei", repetia a atriz para a diretora, enquanto procurava a força da personagem e, ao mesmo tempo, buscava uma interpretação que não soasse carregada demais.

"Édipo", que estreou no dia 4 de julho no auditório do Masp, o Museu de Arte de São Paulo, é uma realização do Círculo de Atores, com idealização da pesquisadora Rosalie Rahal Haddad. O grupo apresenta seus espetáculos no espaço desde "A Profissão da Sra. Warren", do irlandês Bernard Shaw, encenada em 2018.

Nesta montagem, o protagonismo de Jocasta é maior do que em outras versões e o amor sexual por Édipo, papel de Sergio Mastropasqua, sobrevive, mesmo após a revelação sobre a origem do personagem que matou o próprio pai, Laio, e casou-se com a mãe.

Há cumplicidade, entrega e uma intensa paixão sexual na peça escrita por Icke em 2018. Jocasta também faz revelações dolorosas sobre a relação pedófila que lhe foi imposta por Laio, um homem poderoso e inescrupuloso morto em um acidente de carro.