Existe um verbo em espanhol: "cantinflear". Mais conhecido aqui como encher linguiça, andar às voltas, enrolar, embromar, ensebar, abusar de verbos perifrásticos, usar cem palavras para dizer o que se resolveria com oito. Tudo que fiz agora para resumir o simples ato de complicar.
O termo foi criado em homenagem ao personagem do comediante mexicano Mario Moreno, Cantinflas, que tinha a mania de encadear frases longas e palavras forçadamente rebuscadas para impressionar. No Brasil, o verbo equivalente seria rolandoleroar, como conjugaria o maior de todos, meu amado Odorico Paraguaçu.
Mestres da cantinflagem, os narradores de futebol são imbatíveis.
Minha timidez me faz direta demais. Breviloquente, eu diria, se fosse mais prolixa. Odeio reuniões desnecessárias, não tenho habilidade para prolongar introduções nem paciência para perfumar frases e preencher os vazios com palavras gordurosas. Sou o oposto disso: se posso ir direito à substância, eu vou.
Já me conformei: futebol nunca seria narrado por mim. Não por falta de amor ao esporte, que é bonito, emocionante, e consegue fazer nações inteiras gritarem juntas ao redor de uma bola. No máximo, eu seria a voz da objetividade do ponto eletrônico —aquela que passa links comerciais, resultado de outros jogos, número de chutes— enquanto os mestres da narração recitam a sua poesia.












