Outro dia, num programa de TV sobre futebol, alguém disse várias vezes que era preciso "puxar a capivara". A insistência com que repetia a expressão me fez pensar que estava havendo uma infestação de capivaras nos gramados. Pelo insólito da coisa, resolvi ir aos entendidos. Aprendi que "puxar a capivara" significa "puxar a ficha", "levantar o histórico", "analisar direito". Tem a ver com a capivara que, quando surge à beira d’água e você decide puxá-la para a margem, não imagina como é pesada. Tem que puxá-la inteira para saber. Como raramente puxo capivaras para a margem, como eu podia adivinhar?
Não duvido de que, em breve, estaremos puxando capivaras a respeito de tudo. Certas combinações verbais são irresistíveis e, quando as aprendemos, não hesitamos em usá-las por qualquer motivo. Exemplos. Se concordo com alguém, agora tenho que dizer "Sigo o relator". Se fico mais exigente, é porque "subi o sarrafo". Se o fulano não deu conta do recado, é porque "não entregou". Ninguém mais fica estático para mandar uma mensagem —está sempre "passando para". Ficar atento é "ligar o sinal de alerta". Mudar de atitude é "virar a chave". E em tudo o sujeito tem de "dar o seu melhor" —ninguém se contenta em, modestamente, dar seu mais ou menos.







