Ainda a Copa? É que tem um negócio na minha cabeça que pode servir pra falar de uma daquelas coisas de que a gente tem que falar o tempo todo: a língua é um conjunto de regras determinadas pelo coletivo geral dos usuários.

As gramáticas, os dicionários, os professores têm sempre que correr atrás, seja de tentar "reverter" mudanças que consideram negativas (e toda mudança, quando surge, tende a ser vista como negativa por quem está por cima da carne seca), seja de tentar incorporar a inovação.

Foi assim que o latim virou português, o português se tornou brasileiro e o brasileiro de séculos atrás gerou o de hoje. Tudo normal.

Um campo bacana de ver essa briga acontecer hoje ficou escancarado na Copa do Mundo: o uso (ou não) de artigos definidos diante dos nomes de países. Nós, por exemplo, falamos DO Brasil, mas DE Portugal. Pensamos NA França, mas EM Gana.

É claro que essas regras variam no tempo (já dissemos "em França") e no espaço (os portugueses e africanos têm usos diferentes dos nossos). Mas quem determina esse uso não são os gramáticos ou os dicionaristas.