Alguém escreve um comentário em uma rede social e logo recebe a resposta: "Você não tem lugar de fala para isso". Afirmações desse tipo, vistas como tentativas de cancelamento e censura, se tornaram comuns nos últimos anos.

A publicação de "Lugar de Fala", em 2017, é o grande marco desse debate no Brasil, mas a ideia nunca foi proibir que homens ou pessoas brancas e privilegiadas tratassem de outros universos sociais —por exemplo, escrevendo obras de ficção com personagens negros e mulheres.

É isso que Djamila Ribeiro, autora do livro, defende neste episódio do Ilustríssima Conversa. A obra acaba de voltar às livrarias pela Rosa dos Tempos, em uma edição revista e ampliada.

Para a escritora, mestre em filosofia pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), coordenadora da coleção Feminismos Plurais e colunista da Folha, a popularização do termo foi acompanhada de muitas interpretações equivocadas, como a que reduz a noção a um debate sobre quem pode e quem não pode se manifestar.

Na entrevista, Djamila diz que a proposta de lugar de fala é sublinhar as relações de poder que fizeram com que um grupo muito restrito de pessoas pudesse falar e ser ouvido ao longo da história, além de lembrar que outros sujeitos, como intelectuais negras, também produziram um conhecimento que, mesmo indispensável, foi deixado de lado por muito tempo.