Aiatolá Mojtaba Khamenei não compareceu ao funeral de seu pai nesta semana, alimentando especulações sobre sua condição física e sobre sua capacidade de liderar 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mulher segura imagem com os três líderes supremos da República Islâmica: Mojtaba Khamenei (E), Ali Khamenei (C), e Ruhollah Khomeini — Foto: Qassem al-KAABI / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/07/2026 - 14:12 Vácuo de Liderança no Irã: Aiatolá Mojtaba Khamenei Ausente em Meio à Crise O Irã enfrenta um vácuo de liderança com a ausência pública do novo líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, em um momento de crise econômica e tensões internas. Ele não compareceu ao funeral de seu pai, Ali Khamenei, alimentando especulações sobre sua saúde e capacidade de governar. As divisões políticas entre linha dura e pragmáticos aumentam a incerteza sobre o futuro do país e suas relações internacionais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Irã tem diante de si uma economia devastada, uma população inquieta e a ameaça constante do retorno da guerra. Mesmo assim, há uma ausência no topo do governo, com os iranianos aguardando ver e ouvir seu líder supremo. O aiatolá Mojtaba Khamenei foi indicado para o posto em março, dias depois dos ataques dos EUA e Israel matarem seu pai e antecessor, Ali Khamenei, mas até hoje ele não foi visto em público, levantando questões sobre sua saúde e se ele está mesmo à frente do país em um momento crucial. Mojatba não ofereceu diretrizes públicas para o embate entre os membros da linha dura contrários à diplomacia com os EUA e os pragmáticos, incluindo o presidente e o chanceler, que acertaram um acordo preliminar de cessar-fogo no mês passado. Essas fissuras, embora longe de serem novidade na classe política local, são mais urgentes diante de novos ataques e do iminente colapso da diplomacia. No começo da semana, lideranças favoráveis às conversas, como o presidente, Masoud Pezeshkian, foram vaiadas na procissão fúnebre de Ali Khamenei. O líder supremo é responsável por comandar os militares; decidir os altos postos no Judiciário e outras posições estratégicas; declarar guerra e paz e tem a palavra final em outras decisões centrais da liderança nacional. No sistema iraniano, que mescla elementos teocráticos e republicanos, é quem tem a real primazia. Por isso, havia certa expectativa de que Mojtaba faria sua primeira aparição pública no funeral de seu pai, o que não aconteceu. Sem uma autoridade central como Khamenei pai, se tornou ainda mais imprevisível saber qual facção terá a decisão final à mesa, e como o país navegará pelas crises. As conversas de paz, por exemplo, trazem questões sobre o destino do país, incluindo sobre que tipo de relação será estabelecida com os EUA, seu compromisso sobre o programa nuclear e os esforços para reconstruir a economia, hoje abalada pela guerra mas que é fonte de tensão com a população há muitos anos — Não há uma autoridade central para reconciliar essas facções — diz Ali Ansari, historiador especializado no Irã na Universidade de St. Andrews, na Escócia. Multidões carregam o caixão de Khamenei em procissão em Karbala, no Iraque É uma guinada drástica em relação ao cenário com o qual os iranianos se acostumaram pelos últimos 37 anos. Ali Khamenei era uma figura sempre presente, com declarações públicas que serviam como guia para milhares de funcionários públicos, forças de segurança e políticos. Hoje, a única pista sobre o que pensa Mojtaba são algumas declarações escritas, emitidas sob seu nome desde março marcando datas festivas ou, na minoria das vezes, dando opiniões políticas. Como o público não o vê ou ouve, diz Ansari, ninguém sabe de fato o que pensa. Em junho, em uma dessas declarações, disse que, em princípio, não concordava com a assinatura do memorando com os EUA, mas decidiu permitir que fosse em frente depois de promessas feitas por Pezeshkian. O texto não ajudou a apaziguar o debate sobre as negociações. Em outra mensagem, reconheceu “as fragilidades econômicas e gerenciais de longa data” no Irã, sem dizer quais eram ou como seriam resolvidas. Multidão participa de cortejo fúnebre de Ali Khamenei e seus familiares em Teerã — Foto: Atta Kenare/AFP Alguns iranianos estão ansiosos por uma participação mais ativa do novo líder. Fatemeh Mohamad, que participou de uma cerimônia fúnebre em Teerã esta semana, afirmou que ele devia ao povo uma aparição e que deveria ajudar a reforçar a imagem de resistência do Irã. — Nenhum de nós teme a morte — afirmou. — Mojtaba Khamenei deveria aparecer para mostrar a todo o mundo que ninguém nos assusta. Outros creditam a ausência à prudência, uma vez que os ataques inimigos eliminaram parte das lideranças do país. — São inimigos sangrentos que podem ir até ele mesmo nos dias tristes, quando está velando seu pai — declarou Mohamad Soleimani, que participou das cerimônias na Grande Mosalla de Teerã. — Gostaria de vê-lo. Mas se ele não aparecer, nós sentiremos sua presença no coração. Sob Ali Khamenei ou seu antecessor, Ruhollah Khomeini, o líder supremo representava uma fonte definitiva e reconhecida de autoridade para resolver disputas e indicar um caminho à frente. Agora, a Guarda Revolucionária, a força militar ideológica do regime, tem mais poder do que no passado, e há sinais de que o processo decisório é mais coletivo. “Hoje, todos os Poderes, as Forças Armadas, o povo e as organizações da sociedade civil perceberam os perigos da divisão e do colapso, e aceitaram a ideia do consenso institucional”, disse Hesameddin Ashena, conselheiro de governo durante o mandato do presidente Hassan Rouhani, em suas redes sociais no mês passado. Painel com as imagens dos aiatolás Ruhollah Khomeini (E) e Ali Khamenei no centro de Teerã — Foto: ATTA KENARE / AFP A ascensão de Mojtaba provavelmente levará a uma redefinição implícita do papel do líder supremo. Na Constituição, esse posto tem grande poder, mas a autoridade normalmente é definida pelo próprio líder e pelo ardor de seus seguidores. O primeiro a ocupar o posto, Khomeini, tinha muita autoridade, ligada a seu carisma, suas credenciais religiosas e pelo fato de ter liderado o movimento contra a monarquia. Ele também evitou se envolver em decisões sobre o dia a dia, e buscou equilibrar os setores à direita e à esquerda. Em seu mandato, por exemplo, a esquerda ficou com o posto de primeiro-ministro, enquanto os conservadores tinham a Presidência. Seu sucessor, Ali Khamenei, foi inicialmente subestimado. Ele tinha credenciais religiosas menos impressionantes e menos poder do que o então presidente, Ali Akbar Hashemi Rafsanjani. Ao longo do tempo, revelou sua agenda política, se aproximando dos serviços de segurança e se mostrando mais disposto a reprimir quem queria um Irã mais democrático.Quando morreu, havia transformado seu escritório em um gigante burocrático presente ao redor do governo, lhe dando controle sobre os militares, a inteligência, a economia e a diplomacia. Homem enrolado em bandeira do Irã segura a imagem do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, em ato em Teerã — Foto: AFP Mojtaba Khamenei atuava nas ligações entre o escritório de seu pai e os serviços de segurança, afirmam analistas, e sua experiência ali, ao lado de estudos religiosos sob um clérigo linha-dura, estão entre os poucos detalhes usados para ressaltar suas prioridades e pensamentos. Além de controlar a burocracia de seu pai, também tem poderes sobre vários conglomerados com forte pegada estatal. Para alguns, a comparação entre Ali e Mojtaba ignora o fato de que o novo líder supremo assume o posto com algumas desvantagens, como o fato de não ter sido capaz de se posicionar e apresentar em público. — A menos que ele seja uma figura e um indivíduo de força incomum , acho que ele provavelmente perderá força — opina Ansari.
Com o líder supremo do Irã ausente, país enfrenta vácuo no topo do poder em um momento de divisão nacional
Aiatolá Mojtaba Khamenei não compareceu ao funeral de seu pai nesta semana, alimentando especulações sobre sua condição física e sobre sua capacidade de liderar















