Três filhos de Ali Khamenei participaram, neste domingo, ao lado de líderes iranianos, de orações diante do caixão do falecido líder supremo, no segundo dia das cerimônias fúnebres, marcadas pela ausência de seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei, segundo imagens da televisão estatal. Mostafa, Masoud e Meysam foram vistos prestando homenagens ao pai e aos outros familiares mortos no ataque de 28 de fevereiro, enquanto os caixões permaneciam expostos no Grande Mosalá Imam Khomeini, em Teerã. Os filhos presentes no funeral Mostafa Khamenei, de 64 anos, é clérigo xiita e o filho mais velho do antigo líder supremo. Embora tenha mantido atuação política discreta e não ocupe atualmente cargos no governo iraniano, é considerado uma figura influente nos círculos religiosos do país, segundo a rede CNN. Masoud Khamenei, de 52 anos, também segue carreira religiosa, mas exerce um papel mais visível dentro da estrutura ligada ao pai. Ele dirige o Escritório para Preservação e Publicação das Obras de Khamenei, órgão responsável por arquivar, preservar e divulgar discursos, textos e pronunciamentos do líder supremo. De acordo com o portal reformista IranWire, Masoud controla uma ampla estrutura de comunicação e propaganda ligada ao legado político e religioso de Khamenei. O mais novo dos irmãos, Meysam Khamenei, de 48 anos, mantém perfil público mais discreto. Ele também trabalhou no Escritório para Preservação e Publicação das Obras do Líder Supremo e raramente aparece em eventos políticos de destaque. A ausência de Mojtaba, de 56 anos, chamou atenção. Nomeado líder supremo após a morte do pai, ele não é visto em público desde os ataques de fevereiro. Segundo relatos da imprensa internacional, Mojtaba teria ficado ferido na ofensiva e, desde então, tem se comunicado apenas por meio de mensagens escritas. Khamenei governou a República Islâmica desde 1989 até sua morte, aos 86 anos, em um ataque aéreo direcionado em 28 de fevereiro, primeiro dia da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Homenagens A cerimônia religiosa durou cerca de 10 minutos e foi conduzida por Ja'far Sobhani, um aiatolá de 97 anos que leciona na cidade sagrada de Qom. Na primeira fila diante do caixão, ao lado de milhares de fiéis, estavam o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o influente presidente do Parlamento, Mohamad Bagher Ghalibaf, chefe da equipe de negociação com os EUA. Também compareceram o general Esmail Qaani, comandante da Força Quds — braço responsável pelas operações externas da Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã —, e Ahmad Vahidi, líder dos Guardiões da Revolução. As autoridades decretaram feriado no domingo e na segunda-feira para facilitar a participação nas homenagens, que devem reunir cerca de 10 milhões de pessoas. Demonstração de força Teerã considera o funeral uma demonstração de força em meio às negociações diplomáticas com os EUA após a assinatura, no mês passado, de um acordo-quadro para encerrar o conflito. Por causa da cerimônia, o centro da capital iraniana foi transformado em uma fortaleza, com numerosos postos de controle policial, constatou a AFP. Pessoas reagem ao prestar suas homenagens no Grande Mosalá, onde se reuniram para orar pelo falecido líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, durante o segundo dia das cerimônias fúnebres em Teerã, em 5 de julho de 2026 — Foto: ATTA KENARE / AFP Centenas de pessoas formaram filas diante da Mosalá desde a noite de sexta-feira, na esperança de serem as primeiras a entrar no local. Seguindo a tradição xiita, muitos batiam no peito em sinal de luto. — Queremos nos despedir pela última vez de nosso guia e, por isso, a espera não é dolorosa nem difícil para nós — disse à AFP Somayye Hamedi, professora de 44 anos vestida com um chador preto. Alguns participantes choravam, enquanto outros aguardavam sentados no chão, ouvindo recitações de poemas e cânticos religiosos. — Vir aqui é a última e única coisa que podemos fazer (por Ali Khamenei) que sacrificou sua vida (pelo Irã) — afirmou Fatemeh Nowdehi, estudante de 25 anos oriunda do norte do país. O caixão permanecerá exposto dia e noite até segunda-feira na Mosalá, antes de uma procissão pelas ruas da capital. Depois, seguirá por várias cidades do Irã e do Iraque antes do enterro, marcado para 9 de julho, na cidade sagrada de Mashhad, no nordeste iraniano, onde Khamenei nasceu. As cerimônias incluem ainda visitas a dois santuários xiitas em território iraquiano. Grupos armados Sob a liderança de Ali Khamenei, o Irã apoiou durante anos grupos armados em toda a região, entre eles o movimento palestino Hamas e o grupo libanês Hezbollah. Para receber os iranianos vindos de todo o país, mais de 400 tendas do Crescente Vermelho Iraniano foram instaladas em um grande parque da capital, constatou a AFP. A entidade também divulgou orientações para evitar casos de insolação e organizou pontos de distribuição de água ao longo do percurso das homenagens. Também foram posicionados caminhões-tanque prontos para refrescar a multidão diante de temperaturas que devem ultrapassar os 35°C e barracas passaram a distribuir melancia e bebidas geladas aos participantes. Ao lado do caixão de Khamenei estão os corpos de familiares que morreram com ele: uma de suas filhas, um genro, uma nora e uma neta de 14 meses, segundo as autoridades. (Com AFP)