Assassinato do líder supremo por EUA e Israel mudou a conjuntura no Irã, afirma Guga Chacra em newsletter especial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Autoridades passam pelos caixões do líder supremo do Irã, Ali Khamenei e de seus familiares, após prestarem homenagens no complexo religioso de Teerã — Foto: Atta Kenare/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/07/2026 - 06:35 Funeral de Khamenei reúne milhões e altera poder no Irã O funeral de Ali Khamenei, líder supremo do Irã, assassinado por EUA e Israel, começa em meio a uma pausa nas negociações entre Teerã e Washington. Milhões de iranianos participarão dos eventos, que se estenderão até o Iraque. A morte de Khamenei, visto como mártir por muitos, alterou a dinâmica do poder no Irã, com seu filho Mojtaba como sucessor. O funeral ocorre em um cenário de cessar-fogo frágil. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. Começa hoje a semana do funeral do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, assassinado em bombardeios dos Estados Unidos e de Israel no final de fevereiro. Ele morreu no início da guerra, e a demora para a realização do funeral foi motivada pelo prolongamento do conflito. Khamenei não seria enterrado em meio aos combates. Milhões de iranianos devem participar dos eventos, que incluirão diferentes cidades e até mesmo o Iraque. Ao longo desse período, as negociações entre Teerã e Washington ficarão congeladas. Protestos de janeiro – No final do ano passado e no começo deste, centenas de milhares (ou até mesmo milhões) de iranianos foram às ruas protestar contra o regime. Muitos manifestantes entoavam gritos pedindo a queda de Khamenei, chamado de ditador nos protestos. O regime, no poder desde 1979, enfrentava a sua maior crise política e econômica: envelhecido e decadente, parecia estar nos seus últimos dias. As forças iranianas mataram cerca de sete mil civis para conter as manifestações. Mártir – A decisão de Donald Trump e de Benjamin Netanyahu de assassinar Khamenei alterou completamente o cenário. Para muitos xiitas iranianos e de outras partes do mundo, o líder supremo morreu como um mártir, lutando contra seus maiores inimigos. Terá agora um dos maiores funerais de um chefe de Estado de todo o planeta. Em vez de pedirem sua queda, milhões de iranianos o celebrarão no funeral. Sucessão – Idoso e doente, Khamenei tinha seus dias contados. Sua sucessão tenderia a ser caótica. O assassinato, no entanto, resolveu esse problema. Mojtaba Khamenei, seu filho, acabou sendo o escolhido para sucedê-lo, apesar de ter pouco conhecimento religioso e de seu pai ter se manifestado algumas vezes contra sucessões hereditárias. Gravemente ferido em bombardeio israelense, Mojtaba não apareceu em público desde então. Salvação do regime – Danny Citrinowicz, que chefiou o departamento de Irã na inteligência israelense, escreveu um artigo na Foreign Affairs explicando como a guerra salvou o regime do Irã. Sem dúvida, caso tivesse morrido por outra causa, Khamenei não teria o funeral de herói e mártir que haverá nos próximos dias. Calendário – Haverá uma série de cerimônias de despedida nos primeiros dois dias do funeral. Depois, uma procissão sairá pelas ruas de Teerã no dia 6. No dia 7, o corpo de Khamenei será levado para a cidade sagrada de Qom. A escala seguinte, no dia 8, será nas cidades sagradas de Najaf e Karbala — ambas no Iraque. O enterro ocorrerá no dia 9 em Mashad, a cidade natal do líder supremo. Cessar-fogo – Ao longo desse período de funeral, acredita-se que os EUA e o Irã congelem as negociações. Vale lembrar que, no sábado, também serão celebrados os 250 anos da independência norte-americana. É provável que os dois lados evitem confrontos militares e respeitem o frágil cessar-fogo — os combates no Líbano entre Israel e o Hezbollah tendem a prosseguir.
O funeral de Khamenei
Assassinato do líder supremo por EUA e Israel mudou a conjuntura no Irã, afirma Guga Chacra em newsletter especial













