Cerimônias fúnebres de ex-líder supremo terão início em 4 de julho, em Teerã, e serão concluídas em 9 de julho, em Mashhad; evento também deve passar pelo Iraque Mulheres, com imagens do falecido Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei, ao fundo, saem de uma mesquita antes de sua cerimônia de despedida, em Teerã, Irã, 2 de julho de 2026. — Foto: REUTERS/Murad Sezer O governo do Irã está nos preparativos para o funeral de seu ex-líder supremo, Ali Khamenei, morto no início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica, em fevereiro. As cerimônias fúnebres de Khamenei terão início em 4 de julho, em Teerã, e serão concluídas em 9 de julho, com seu sepultamento em sua cidade natal, Mashhad. Entre essas datas, também estão previstas cerimônias em Qom e no Iraque. Ali Khamenei acumulava as funções de chefe de Estado e líder religioso no sistema teocrático iraniano, além de comandar a Guarda Revolucionária Islâmica. Seu governo ficou mundialmente conhecido pela repressão brutal, com prisões, torturas e assassinatos de dissidentes. Nesse contexto, a figura do aiatolá também dividia a sociedade iraniana: quando sua morte nos bombardeios americanos e israelenses foi confirmada, alguns iranianos chegaram a se arriscar para comemorar. Ainda assim, é esperado que o funeral seja acompanhado por milhões de pessoas. Por isso, garantir a segurança e controlar as multidões ao longo da próxima semana será um desafio para as autoridades iranianas, que têm em mente os problemas registrados nos funerais de duas das principais figuras da República Islâmica: o do aiatolá Ruhollah Khomeini, em 1989, e o do general Qassem Soleimani, da Guarda Revolucionária, morto em um ataque dos Estados Unidos em 2020. No funeral de Khomeini, por exemplo, cerca de 3 milhões de pessoas participaram das cerimônias. Em meio ao tumulto, o corpo caiu de um caixão de madeira e foi cercado pela multidão, que precisou ser dispersada por soldados com disparos de advertência. Oito pessoas morreram pisoteadas. No funeral de Soleimani, dezenas de pessoas também morreram em um tumulto. Agora, o clima de tensão que paira sob o Oriente Médio acrescenta mais um ponto desafiador, com trocas de ataques entre forças americanas e iranianas sendo frequentes, apesar de um frágil cessar-fogo em vigor. Um comandante militar iraniano alertou nesta quinta-feira os EUA e Israel contra qualquer novo ataque ao Irã, enquanto o país se prepara para o funeral de Estado do líder supremo. "Advertimos os inimigos do Irã, especialmente os Estados Unidos e o regime sionista (Israel), a evitar qualquer erro de cálculo e a refletir sobre a dura retaliação que nossas Forças Armadas realizarão diante de qualquer ameaça ou agressão contra nosso país", afirmou Ali Abdollahi, comandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, em comunicado divulgado pela imprensa estatal. Bandeiras vermelhas e pretas tremulam sobre uma rua enquanto veículos passam durante os preparativos para uma cerimônia de despedida do falecido Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei , que foi morto em 28 de fevereiro em ataques aéreos israelenses e americanos, em frente à Grande Mosalla Imam Khomeini, em Teerã, Irã, em 2 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Mohammed Salem Na quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, fez advertência semelhante, afirmando que Teerã dará uma resposta imediata e contundente a qualquer ameaça contra seu povo ou sua liderança, após declarações do ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, de que o atual líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, estava "marcado para morrer". A imprensa iraniana informou que as medidas de segurança foram reforçadas durante o período do funeral. Já o presidente da Organização de Aviação Civil do Irã afirmou na quarta-feira que restrições temporárias ao espaço aéreo serão impostas sobre várias cidades, incluindo Teerã e Mashhad. A República Islâmica deve receber autoridades de outros países para o evento. O Ministério das Relações Exteriores da China informou nesta quinta-feira que o alto dirigente do Legislativo chinês, He Wei, participará do funeral de Ali Khamenei, em Teerã, no dia 3 de julho, informou um porta-voz do ministério durante entrevista coletiva regular. He é vice-presidente do Comitê Permanente da Assembleia Nacional Popular, o principal órgão legislativo da China. Segundo a imprensa estatal iraniana, o ex-presidente russo Dmitry Medvedev também participará como enviado especial do presidente Vladimir Putin.