Há poucos paralelos na história para o tamanho, a escala e a importância do funeral que o regime do Irã está preparando para seu líder supremo assassinado, o aiatolá Ali Khamenei.

Com início nesta sexta-feira (3) na capital, Teerã, e duração de quase uma semana, com cerimônias planejadas em pelo menos cinco cidades no Irã e no Iraque, o funeral deve atrair dezenas de milhões de pessoas, segundo autoridades do regime.

Talvez mais impressionante do que a complexidade e a abrangência do funeral seja seu simbolismo neste momento. Ele acontece mais de quatro meses depois que Khamenei foi morto, no início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, e seis meses após o país ter sido tomado por protestos em todo o território nacional pedindo sua queda.

Embora milhões de enlutados devam comparecer na próxima semana, muitos iranianos permanecem profundamente insatisfeitos com o que o regime de Khamenei trouxe ao país ao longo de quase quatro décadas de um regime autoritário.

Ele supervisionou uma repressão brutal, incluindo a prisão, tortura e assassinato de dissidentes, e esteve à frente de uma corrupção crescente e o controle cada vez maior de grande parte da riqueza do Irã por suas forças de segurança.