Mobilização de milhares de iranianos é prova do fracasso da guerra promovida por EUA e Israel, afirma Guga Chacra em newsletter especial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Multidão participa de cortejo fúnebre de Ali Khamenei e seus familiares em Teerã — Foto: Atta Kenare/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 06/07/2026 - 08:28 Funeral de Khamenei mostra força do regime, mas desafios persistem O funeral do aiatolá Ali Khamenei demonstrou a força do regime iraniano, com milhões de pessoas nas ruas de Teerã, apesar das ações dos EUA e Israel. Essa mobilização desafia a percepção de fraqueza do regime antes da guerra. Guga Chacra destaca que, embora o regime esteja fortalecido, enfrenta desafios econômicos e sociais que podem reacender protestos se as sanções não forem levantadas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. O regime do Irã tem conseguido fazer uma enorme demonstração de força nas celebrações do funeral do aiatolá Ali Khamenei. São centenas de milhares — ou mesmo milhões de pessoas — nas ruas de Teerã para se despedir do líder supremo, assassinado em ataque dos Estados Unidos e de Israel. As celebrações continuam na capital iraniana nesta segunda-feira, antes de o caixão ser levado para a cidade sagrada de Qom e depois para as cidades sagradas de Najaf e Karbala, no Iraque. O enterro será no dia 9, em Mashad, cidade natal de Khamenei e a segunda maior do Irã. Suporte ao regime – Nunca esteve claro qual seria a base de apoio ao regime no Irã. Durante as gigantescas manifestações de opositores em janeiro, falava-se em algo entre 20% e 30%. Os adversários seriam bem mais numerosos. É difícil calcular. Uma das formas utilizadas são eleições, nas quais o voto não é obrigatório. Como quase todos os candidatos opositores acabam vetados, a maioria dos iranianos não vota. Mesmo entre os que votaram para presidente, o vencedor acabou sendo Masoud Pezeshkian, visto como um moderado dentro do regime. Comparação – Diante da dimensão das celebrações, fica bem claro que o regime se fortaleceu depois do início da guerra. É a prova do fracasso da ofensiva de Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Em vez de milhões saírem às ruas para tentar derrubar o regime, milhões se despedem do líder supremo em Teerã. Basta comparar dois momentos — o antes da guerra e o depois da guerra — para ver como foi absurda e equivocada a decisão de atacar o Irã. Para ficar claro, isso não significa defender um dos mais sanguinários regimes do planeta. Significa apenas condenar uma ação bélica que atingiu objetivos opostos aos almejados. Mártires – Antes da guerra, o regime estava enfraquecido, era considerado um “tigre de papel” por não conseguir enfrentar Israel e EUA e precisava reprimir com enorme violência manifestantes de todas as camadas sociais que saíam às ruas pedindo mudanças. Hoje, suas lideranças são vistas como mártires por pagarem com a própria vida na luta contra Israel e EUA e estão empoderadas ao mostrar força no conflito, com as pessoas nas ruas em seu apoio, e não pedindo a sua queda. Problemas pela frente – Claro que, por enquanto, a atmosfera ainda é de mobilização na guerra. O regime precisará do fim das sanções em acordo com os EUA para melhorar o cenário econômico. Caso contrário, voltarão com força a insatisfação popular e os protestos. O atual regime, transformado em uma junta militar controlada por veteranos das Guardas Revolucionárias, tende a ser ainda mais duro com opositores, embora mais tolerante em algumas questões, como a obrigatoriedade do uso do véu pelas mulheres. Ao longo dos próximos dias, devo continuar falando do funeral de Khamenei. Desculpem o atraso no envio desta newsletter hoje. Estive ontem no estádio em Nova York para ver mais uma eliminação da seleção brasileira e cheguei tarde em casa. Naturalmente, sem muita cabeça para conseguir escrever.
A demonstração de força do regime no funeral de Khamenei
Mobilização de milhares de iranianos é prova do fracasso da guerra promovida por EUA e Israel, afirma Guga Chacra em newsletter especial













