Alguém pôs na cabeça de Flávio Bolsonaro –provavelmente o pai– que, sem a ajuda ou a interferência direta de Trump e a propaganda e as teorias da extrema direita internacional, ele não ganha a eleição. Até agora a sugestão teve um efeito contrário.

Na sua sexta viagem aos EUA neste ano, mais do que o número de idas a estados-chave durante a pré-campanha (cujo objetivo é o Palácio do Planalto, não a Casa Branca, é bom lembrar), o filho 01 esteve em uma audiência promovida pelo Escritório de Comércio para defender o tarifaço 2.0 –desde que a chantagem político-econômica entre em vigor só depois das eleições. Pediu o prazo de 90 dias, alegando que a medida pode vir no "pior momento possível" e beneficiar Lula. Um cálculo de quem teme não chegar ao segundo turno.

Numa só tacada, deu mais munição aos petistas na hora de explorar o mote da soberania, desagradou a Faria Lima e os empresários (que já tratam a vitória de Lula como "provável"), intensificou o fogo amigo contra a própria campanha (o núcleo liberticida instalado nos EUA, tendo à frente o filho 03 e o neto do general da ditadura, não tolera a coordenação do senador Rogério Marinho nem os marqueteiros) e promoveu de vez o racha com a "direita limpinha".