A relação com os Estados Unidos é o maior desafio enfrentado pela política externa brasileira —pela importância que a potência sempre teve para nós e pela imprevisibilidade de seu prepotente presidente.

Desde a volta de Donald Trump, especialistas de diferentes quadrantes discutem a melhor maneira de defender seus países do ocupante de turno da Casa Branca.

Em artigo publicado na Cebri-Revista, há cerca de um ano, o professor da USP Feliciano de Sá Guimarães já defendia que o Brasil adotasse, diante da potência do norte, uma estratégia sofisticada, que combinasse contenção e engajamento em diferentes frentes, evitando seja o confronto total, seja a completa submissão. Discernindo quando e em torno do que é possível negociar e respondendo com firmeza à pressão exorbitante. Sobretudo, procurando não reduzir a relação a um tópico específico —comércio, conflitos mundiais ou segurança regional.

Parece ser esse o percurso que a política exterior brasileira, conduzida por experientes diplomatas, tenta seguir, com graus variados de êxito. As negociações sobre o tarifaço; a atitude prudente diante da invasão da Venezuela e o sequestro do então presidente Maduro, de um lado; e as manifestações do Palácio do Planalto a respeito do enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas, de outro, indicam que a abertura para negociar quando possível e a prontidão para conter a eterna prepotência trumpista são opções que a diplomacia brasileira tem escolhido seguir.