Quando ia à cidade com a mãe, Maria Valentina Barbosa, 10, moradora da zona rural de Monte Horebe (PB), queria comprar tudo o que via —desde lanches e doces até roupas e maquiagens. Hoje, guarda em um cofrinho cada centavo que recebe dos avós e de parentes pelos porta-retratos que confecciona com papelão reciclado.

Em casa, é a primeira a apagar as luzes acesas sem necessidade, calcula mentalmente o troco antes de chegar ao caixa nas lojas e descobriu nos números uma paixão. A mudança contagiou a própria mãe, a quem ensinou cálculos de multiplicação e divisão.

"Aprendi a manter uma reserva, assim como ela. Guardo no mínimo 10% do que ganho todos os meses com as vendas de ovos, galinhas, feijão e milho", conta a agricultora Rosana Barbosa, 35.

A mudança nos hábitos da família só foi possível depois que Maria Valentina passou a ter aulas de educação financeira na Escola Municipal Santa Terezinha, da comunidade do Sítio Capim. Na unidade —assim como em toda a rede pública de Monte Horebe—, conceitos de gestão do dinheiro são ensinados por meio de jogos e atividades do IBS (Instituto Brasil Solidário).

"Da primeira infância à Educação de Jovens e Adultos, os professores discutem a importância do dinheiro na vida cotidiana e nas decisões envolvendo recursos públicos", diz Márcia Nogueira, pedagoga e coordenadora geral da Secretaria de Educação do município. "Esse aprendizado começa na escola, chega às famílias por meio dos estudantes e se espalha por toda a comunidade."