Quando seu filho Ícaro tinha 4 anos, Janete dos Santos, 55, recebeu uma ligação da escola dizendo que ele havia sofrido um acidente. "Pensei que fosse algo simples, como um braço quebrado", relembra a professora de Imperatriz (MA).
Ao chegar ao hospital, ela percebeu a gravidade da situação. "Meu filho estava todo ensanguentado, com o neuropediatra segurando a mãozinha dele, e não me reconhecia."
A queda de um bebedouro de quatro torneiras sobre o menino provocou um traumatismo craniano e lesões cerebrais que comprometeriam permanentemente habilidades relacionadas à linguagem e à interação social.
Era o início de uma longa jornada de tratamentos e cirurgias para reparar os danos causados pela fratura no osso temporal esquerdo. Três anos depois, Ícaro recebeu o diagnóstico de transtorno desintegrativo da infância, uma condição rara do neurodesenvolvimento infantil marcada pela perda repentina de habilidades já adquiridas, hoje incluída no TEA (Transtorno do Espectro Autista).
Além do desgaste emocional de lidar com tudo isso, Janete enfrentou outro problema de ordem prática: um rombo nas contas bancárias, provocado pelos gastos com consultas e exames particulares não cobertos pelo plano de saúde, medicamentos de uso contínuo, procedimentos e deslocamentos para as terapias do filho. Uma década após o acidente, ela acumulava dívidas com 12 bancos e mais de 60 parcelas no cartão de crédito, além de débitos no cheque especial e em comércios locais.














