"Tem pais que deixam apartamento ou casa. Os meus me deixaram com R$ 6 milhões em dívidas", afirma Paloma Yumi. Aos 18 anos, a advogada começou a vida adulta carregando débitos de uma empresa da qual se tornou sócia aos 16.

Hoje, sua história integra o Movimento Criança sem Dívida, que reúne vítimas de abuso financeiro infantil e presta assistência psicológica e jurídica aos integrantes.

Emancipada ainda na adolescência para ocupar o cargo de sócia em uma das empresas abertas por seus pais, Paloma viu o negócio falir pouco tempo depois de atingir a maioridade. O empreendimento aberto em seu nome passou a responder também por débitos acumulados por outras companhias administradas por seus responsáveis. Aos 18 anos, ela já devia R$ 6 milhões no seu CPF.

"Eu não podia ter telefone, boleto no meu nome, não podia comprar carro ou casa", lembra.

De acordo com dados da Receita Federal, mais de 30 mil CPFs de menores de idade foram vinculados a CNPJs de empresas entre 2020 e 2024. Não há legislação no Brasil que proíba a participação societária de menores de idade.