A rota dos migrantes cubanos pela Amazônia brasileira, até alcançarem cidades como Goiânia, São Paulo, Curitiba, Florianópolis e Joinville, é marcada por uma atmosfera de clandestinidade, notada quando se refaz os trajetos e quando se busca os pontos de passagem dos grupos decididos à travessia.

Cubanos vendem casas, fazem jornada amazônica por ar, terra e água e buscam permanência no Brasil

Os cubanos são vítimas de um processo de exploração; boa parte deles transita de forma legal e regular pelo país, por deterem o protocolo do pedido de refúgio, após passagem por uma unidade da Polícia Federal na região de fronteira.

A rede que cuida da logística dos deslocamentos —apontada como criminosa pela PF, com suspeitos em Cuba, Suriname, Guiana Francesa e Brasil– é a responsável por tornar a jornada mais tensa, arriscada e deliberadamente oculta.

No porto de Oiapoque (AP), no extremo norte do país, barqueiros e "picapeiros" ou "pirateiros" se irritaram com a abordagem da Folha e se colocaram como "superiores" dos grupos de migrantes, uma relação de hierarquia que não existe. Apressados, orientaram grupos a não falarem com a reportagem.