Num mesmo espaço —a orla do rio Oiapoque, que funciona como porto e como portal para o centro da cidade de mesmo nome—, diversos grupos se misturam em um movimento cadenciado, ora mais intenso, ora menos agitado.

Na rotina da cidade no extremo norte do Brasil, uma área de amazônia atlântica e de fronteira com a Guiana Francesa (o país está do outro lado do rio), estão imersos garimpeiros ilegais, pescadores que alcançam o alto-mar, franceses que passeiam pelo município, barqueiros (conhecidos como catraieiros), "picapeiros", taxistas e ambulantes.

Tudo e todos passam pelo porto; numa cidade de fronteira, não há silêncios ou tranquilidade.

Um novo fluxo de gente ganhou corpo no porto de Oiapoque (AP) nos últimos três anos, com pico em 2025, embora ainda passe despercebido por atrair redes criminosas de exploração, que operam a logística em zonas cinzentas e em agilidade, de forma a extorquir quem está nesse fluxo.

Migrantes cubanos passaram a buscar o Brasil como rota e como refúgio, e para isso passaram a encarar longas jornadas pela amazônia brasileira, da Guiana Francesa e do Suriname, numa travessia que inclui voos, vans, pequenas embarcações, carros com tração, barcos comerciais e ônibus.