Se "escravos de US$ 40 milhões" têm pouco ou nenhum poder sobre a própria carreira, quem desenha as diretrizes, a política e a gestão do esporte brasileiro? Vimos na coluna passada como a ascensão de atletas negros não se traduz em poder de decisão e como o fosso é ainda mais profundo para as mulheres. Ficou a promessa de avançar para as políticas de Estado.

Para prosseguir, tive que transcender um pessimismo particular. Foi inevitável pensar: de que adianta escrever sobre políticas de Estado quando um pensamento masculinista e entreguista dá as cartas no país?

Infelizmente, não é exagero. As revelações sobre as relações de Daniel Vorcaro com homens do poder produziram em mim um profundo desânimo. Mulheres reduzidas a garotas de programa, aliciadoras e testas de ferro. Bilhões de reais pulverizados, e muitos dos envolvidos ainda pedindo votos para a reeleição. Como discutir compromisso com o futuro do país num cenário desses?

No debate público, a misoginia também cumpre sua função. Onde há uma caixa de comentário, haverá homens para desqualificar a crítica antes mesmo de ler. Já em relação a quem ocupa o poder no esporte, em especial no futebol, mas não só, não há adoção, de fato, de qualquer medida capaz de desafiar