Messi é um gênio e a seleção argentina, contra a qual torcer é válido esporte brasileiro, está mais perto de mais uma Copa exitosa.
Dito isso, não é de hoje que racismo e futebol se encontram quando argentinos entram em campo. Os casos são inúmeros. Em maio de 2026, a Conmebol puniu tanto um atacante brasileiro sub-17 que protestou contra um ato de racismo quanto o meia argentino acusado, igualizando vítima e algoz como se comparáveis fossem.Neste Mundial, dois episódios recentes, ainda a serem esclarecidos, envolvendo argentinos foram relatados. Na disputa com o Egito, o técnico egípcio chegou a fazer um X com os braços, o que deveria ter ativado o protocolo contra o racismo, com a interrupção da partida —ele foi contido por membros da própria equipe. No jogo contra Cabo Verde, insultos racistas foram proferidos contra um influenciador americano por torcedores argentinos, o que levou a Fifa a abrir investigação.
Racismo não é privilégio da Argentina, obviamente. Por outro lado, o país talvez seja o caso de maior sucesso na América Latina de branquitude vendida interna e externamente como identidade nacional.
Enquanto o Brasil lida com o mito da democracia racial, a Argentina profetiza a ideologia da homogeneidade racial. Omar Orsi, em artigo de 2022 sobre essa ideologia, relata a luta de ativistas argentinos por visibilidade e fala do processo de deslocamento de negros para fora de Buenos Aires, que se vê como branca e europeia e, portanto, representativa de uma Argentina caucasiana, que se vê superior.













