O comercial de um dispositivo eletrônico de educação pré-natal promete fortalecer o desenvolvimento cognitivo por meio de estímulos sonoros colocados sobre a barriga da mãe. Segundo o fabricante, "quando se trata de proporcionar um ambiente enriquecedor para o aprendizado, quanto mais cedo, melhor". Embora não tenham respaldo científico e não sejam recomendados por sociedades médicas e acadêmicas, esses dispositivos seduzem famílias com a promessa de sucesso futuro.
A ideia de formar pessoas com habilidades extraordinárias acompanha a sociedade há séculos e tem sido cada vez mais explorada pelo mercado de alta performance. As estratégias ultrapassaram o famoso bordão "trabalhe enquanto eles dormem" e agora incidem sobre os momentos em que descansávamos despreocupados: o período fetal e a infância.
A expectativa de moldar filhos prodígios movimenta um mercado bilionário. Além dos programas que alegam ganhos no coeficiente intelectual e em habilidades de linguagem desde o período intrauterino, a infância é alvo de estratégias para a produtividade. Métodos pedagógicos garantem o aprendizado acelerado de leitura e aplicativos prometem transformar o tempo de tela em estimulação cognitiva. Em comum, essas táticas utilizam conceitos bem estabelecidos pela ciência, mas extrapolam suas aplicações.











