Descoberta feita em 1969 transformou o personagem em símbolo nacional do Cazaquistão 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Reconstrução do 'Homem de Ouro', jovem da elite cita encontrado em 1969 no sítio arqueológico de Issyk, no Cazaquistão — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/07/2026 - 08:45 Estudo com DNA Antigo Revela Identidade do "Homem de Ouro" Cazaque Um estudo recente, publicado na Science Advances, utiliza DNA antigo para desvendar a identidade do enigmático "Homem de Ouro", encontrado em 1969 no Cazaquistão. Pertencente aos saka, um grupo cita, ele era provavelmente masculino. O sepultamento luxuoso indica sua posição na elite nômade da Idade do Ferro. A pesquisa revela laços familiares entre a aristocracia cita, sugerindo a hereditariedade do status social. Contudo, o papel exato do "Homem de Ouro" na sociedade permanece incerto. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quando arqueólogos abriram um túmulo na região de Issyk, no atual Cazaquistão, em 1969, encontraram um jovem coberto por mais de 4 mil ornamentos de ouro. A descoberta transformou o chamado "Homem de Ouro" em um dos achados arqueológicos mais famosos da Ásia Central e em um símbolo nacional do Cazaquistão. Mas uma dúvida permaneceu por mais de cinco décadas: afinal, quem era aquela pessoa? Um estudo publicado nesta sexta-feira na revista Science Advances oferece as respostas mais precisas até agora. A partir da análise de DNA antigo, pesquisadores concluíram que o indivíduo provavelmente era do sexo masculino e pertencia aos saka, um dos principais grupos que compunham os povos conhecidos como citas, nômades que dominaram as estepes da Eurásia entre os séculos VIII e III a.C. A pesquisa analisou material genético de 85 pessoas enterradas em diferentes regiões da Ásia Central durante a Idade do Ferro. Além de esclarecer a identidade do "Homem de Ouro", o trabalho mostrou que os integrantes da elite cita pertenciam às mesmas famílias, indicando que riqueza e poder eram transmitidos de geração em geração. Espadas vikings Ulfberht intrigam arqueólogos há séculos 1 de 4 Espadas Ulfberht ficaram famosas pela qualidade incomum do aço e pela inscrição gravada nas lâminas durante a Era Viking — Foto: Reprodução 2 de 4 Espadas Ulfberht ficaram famosas pela qualidade incomum do aço e pela inscrição gravada nas lâminas durante a Era Viking — Foto: Reprodução X de 4 Publicidade 4 fotos 3 de 4 Espadas Ulfberht ficaram famosas pela qualidade incomum do aço e pela inscrição gravada nas lâminas durante a Era Viking — Foto: Reprodução 4 de 4 Espadas Ulfberht ficaram famosas pela qualidade incomum do aço e pela inscrição gravada nas lâminas durante a Era Viking — Foto: Reprodução X de 4 Publicidade Lâminas medievais ficaram conhecidas pela qualidade incomum do aço e pela misteriosa inscrição “+VLFBERH+T” gravada no metal O "Homem de Ouro" foi encontrado em um grande kurgan — como são conhecidos os monumentais túmulos construídos pelos povos das estepes. Embora a câmara principal tivesse sido saqueada na Antiguidade, uma câmara lateral permaneceu intacta. Nela, arqueólogos encontraram o esqueleto de um jovem vestido com uma elaborada roupa decorada por milhares de pequenas placas de ouro, além de uma espada, um punhal, joias e uma tigela de prata com uma inscrição que ainda desafia especialistas. Durante décadas, pesquisadores não conseguiram determinar se os restos mortais pertenciam a um homem ou a uma mulher. Os ossos estavam deteriorados, dificultando análises convencionais. Com técnicas modernas de sequenciamento genético, os autores do novo estudo conseguiram reconstruir parte do genoma e concluíram que o indivíduo era, provavelmente, do sexo masculino. Apesar disso, algumas perguntas permanecem sem resposta. Os cientistas não encontraram parentes próximos do "Homem de Ouro" entre os indivíduos analisados, o que sugere que ele pode ter pertencido a uma linhagem ainda não identificada. O contexto do enterro, porém, deixa pouca dúvida sobre sua posição social. O luxo do sepultamento, a quantidade de ouro e o tamanho do túmulo indicam que ele fazia parte da aristocracia cita. Segundo os autores, essa conclusão ganha força com outro resultado da pesquisa. O DNA revelou que integrantes da elite compartilhavam laços familiares e que o status era hereditário. Um dos exemplos encontrados foi o sepultamento luxuoso de uma criança de apenas um ano de idade, sinal de que a posição social era definida pelo nascimento, e não apenas por feitos militares ou políticos. Mais de meio século após sua descoberta, o "Homem de Ouro" continua sendo um dos personagens mais enigmáticos da arqueologia. O novo estudo ajuda a esclarecer sua identidade, mas ainda não permite saber exatamente qual era seu papel na sociedade — se governante, guerreiro, príncipe ou líder religioso. Para os pesquisadores, novas análises de DNA de túmulos da Ásia Central poderão ajudar a preencher essas lacunas nos próximos anos.