Ötzi morreu de forma violenta há aproximadamente 5.300 anos na região da atual fronteira entre Itália e Áustria. Uma ponta de flecha, encontrada alojada em seu ombro esquerdo, levou a um sangramento fatal. Mas, de certa forma, o Homem do Gelo ainda vive, segundo uma pesquisa que saiu nesta quarta-feira (3) na revista Microbiome.

Cientistas realizaram a análise mais abrangente até hoje do mundo microbiano da múmia de Ötzi, detalhando bactérias, fungos e leveduras em múltiplos locais de tecido. O corpo, preservado por milênios em condições glaciais, foi descoberto em 1991. Ele representa a múmia natural mais antiga conhecida da Europa.

Foram identificados três mundos microbianos distintos dentro e sobre o corpo: bactérias intestinais antigas que faziam parte do microbioma de Ötzi; microrganismos adaptados ao frio derivados do ambiente glacial onde o corpo permaneceu; e micróbios modernos introduzidos durante três décadas de conservação em museu.

"Nosso estudo revela que Ötzi não é uma relíquia estática e biologicamente inerte, ele é um ecossistema dinâmico", disse o microbiologista Mohamed Sarhan, do Instituto de Estudos de Múmias da Eurac Research, em Bolzano, Itália, autor principal do novo estudo.