EUA chamam de 'absurda' avaliação do Itamaraty sobre risco de ação militar no Brasil Porta-voz do Departamento de Estado diz que EUA agem para defender o país de facções brasileiras. Risco de intervenção foi citado pelo ministro Mauro Vieira em documento. O governo de Donald Trump chamou de "absurda" a avaliação do Itamaraty sobre o risco de uma ação militar dos Estados Unidos no Brasil. Em nota enviada nesta terça-feira (7) ao g1, o Departamento de Estado americano negou qualquer intenção de realizar uma intervenção em território brasileiro. O chanceler Mauro Vieira havia afirmado à Câmara que a classificação de facções criminosas como terroristas traria riscos de uma ação militar dos EUA. Após a medida, o governo dos EUA anunciou sanções contra 2 brasileiros, 3 empresas no Brasil e uma em Portugal associadas ao PCC. Itamaraty vê risco dos Estados Unidos usarem a foça militar no Brasil depois de classificar PCC e CV como terroristas O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como "absurda" a avaliação do Itamaraty de que a decisão de enquadrar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas possa abrir espaço para uma ação militar norte-americana no Brasil. Em nota enviada ao g1 nesta terça-feira (7), um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que os EUA estão adotando medidas com base na própria legislação para combater os grupos brasileiros. "Esse comentário [sobre risco de uma ação militar] é um absurdo. Os Estados Unidos estão adotando medidas decisivas, com base em suas próprias prerrogativas soberanas, para combater narcoterroristas." "Essas facções brasileiras agora operam nos Estados Unidos, e defenderemos nosso povo delas. Alegações vagas de intervenção costumam servir de pretexto para ajudar e favorecer alguns dos grupos mais violentos do mundo", disse o porta-voz. 👉 Em junho, o Departamento de Estado classificou as facções criminosas PCC e CV como organizações terroristas, contrariando os pedidos do governo federal. A determinação abriu espaço para ações mais duras e unilaterais dos EUA contra o Brasil. O documento, assinado por Vieira, foi enviado em resposta a um pedido de informações do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES) sobre a medida adotada pelo governo Trump.Segundo o ministro, uma operação norte-americana no Brasil é uma das possíveis consequências da classificação do PCC e do CV como organizações terroristas. Segundo Vieira, o governo brasileiro não foi formalmente comunicado sobre a decisão do governo dos EUA antes do anúncio feito pelo secretário de Estado, Marco Rubio. O ministro disse ainda que o Brasil se opôs à classificação das facções como organizações terroristas por considerar que a medida não traria benefícios e poderia gerar consequências no país. "A referida classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular no âmbito financeiro, migratório e penal. Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional", diz o ministro. LEIA TAMBÉM Lula e Trump — Foto: Adriano Machado/Reuters; Evelyn Hockstein/Reuters Sanções O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos aplicou restrições contra dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma empresa portuguesa por suposta ligação com o PCC. As medidas incluem o bloqueio de bens eventualmente existentes nos Estados Unidos e restrições a transações envolvendo os alvos. 👉 Veja, a seguir, quem foi incluído na lista de sanções: Brasileiros punidos: Victor Henrique de Oliveira Shimada;Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Empresas punidas: Victory Trading Intermediacão De Negocios Cobrancas E Tecnologia Ltda;Pixwave Solucoes De Pagamentos Ltda;Wave Construcoes Inteligentes Ltda;Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda (de Portugal). VÍDEOS: mais assistidos do g1 Donald Trump Estados Unidos