Requerimento será analisado nesta quarta pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e chanceler pode ser chamado para explicar documento em que governo aponta riscos à soberania brasileira 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ministro Mauro Vieira em entrevista à imprensa em Belém do Pará — Foto: Tarso Sarraf / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 07/07/2026 - 16:51 Câmara avalia convocação de chanceler por risco de ação dos EUA no Brasil A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados analisará a convocação do chanceler Mauro Vieira, após documento do Itamaraty afirmar que a classificação do PCC e Comando Vermelho como terroristas pelos EUA pode justificar ação militar americana no Brasil. O requerimento, liderado por Evair de Melo, busca esclarecer riscos à soberania nacional e pode levar à criação de uma CPMI. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados (Creden) vai analisar nesta quarta-feira o requerimento de convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos sobre um documento do Itamaraty que afirmou à Câmara que a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode abrir margem para o uso da força militar americana em território brasileiro. Se o requerimento for aprovado, Mauro Vieira será convocado a comparecer ao colegiado para prestar esclarecimentos. O requerimento foi protocolado pelo deputado federal Evair de Melo (Republicanos-ES), autor do pedido de informações que deu origem à resposta do Itamaraty. Ao anunciar a apresentação da convocação, o parlamentar criticou a atuação da diplomacia brasileira. — Diante da fragilidade e da precariedade das respostas à vida do Itamaraty, nós já protocolamos hoje na Comissão de Segurança Pública e na Comissão de Relações Internacionais a convocação do ministro Mauro Vieira para que ele possa vir aqui nesta Casa de forma objetiva — afirmou. Além disso, Evair também afirma que está em busca do número de assinaturas necessárias para a criação de uma CPMI sobre a atuação do Itamaraty quanto a organizações terroristas. — É necessário instalarmos uma CPMI, que nós estamos coletando a assinatura, para que possamos investigar qual é a razão efetiva do Itamaraty não liderar o enfrentamento detraficantes e narcoterroristas — disse. O pedido de convocação ocorre após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informar à Câmara que a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas pode gerar impactos à soberania brasileira. Em resposta ao requerimento de Evair, o Itamaraty afirmou que a medida “não trará benefícios concretos para a cooperação internacional entre EUA e Brasil no enfrentamento ao crime organizado” e poderá produzir efeitos “tanto no plano econômico quanto no da soberania nacional”. O documento sustenta que a legislação antiterrorismo americana permite a adoção de medidas administrativas e judiciais com efeitos extraterritoriais e alerta que a classificação das facções poderá atingir pessoas, empresas e organizações brasileiras, inclusive aquelas sem vínculos diretos com os Estados Unidos ou cuja relação com os grupos seja indireta. O ministério também afirma que, em um cenário extremo, “há a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro”. Na avaliação do Itamaraty, classificar organizações criminosas como terroristas “não apenas é inadequado do ponto de vista jurídico, como tampouco acrescenta benefícios para a cooperação internacional no combate ao crime organizado transnacional” e representa “riscos concretos à soberania nacional”. A manifestação foi encaminhada à Câmara pouco mais de um mês depois de o governo americano anunciar a classificação do PCC e do Comando Vermelho como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT, na sigla em inglês). O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, também informou que as facções passariam a ser enquadradas como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO), classificação em vigor desde 5 de junho. Segundo o governo brasileiro, Brasil e Estados Unidos já dispõem de instrumentos considerados eficazes para combater organizações criminosas transnacionais, como acordos de assistência jurídica, compartilhamento de inteligência, cooperação policial e mecanismos de combate à lavagem de dinheiro, tornando desnecessária a classificação das facções como organizações terroristas para fortalecer a atuação conjunta.
Comissão da Câmara vai analisar convocação do chefe do Itamaraty após documento citar risco de ação militar dos EUA no Brasil
Requerimento será analisado nesta quarta pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e chanceler pode ser chamado para explicar documento em que governo aponta riscos à soberania brasileira









