Expectativa é que o chanceler Mauro Vieira se reúna com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, ainda nesta semana O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta terça-feira (7) que o governo ainda espera realizar ao menos mais uma reunião técnica e outra de natureza política com os Estados Unidos antes do dia 15 de julho, prazo legal para a conclusão da investigação da Seção 301. Há expectativa de uma reunião entre ele, o chanceler Mauro Vieira e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, ainda nesta semana. “O tempo corre contra nós. O dia 15 está logo aí, na próxima semana, mas a expectativa é que nós tenhamos, pelo menos, mais uma reunião técnica, ou de nível técnico, e uma reunião um pouco mais de natureza política, de coordenação, ainda nesta semana ou no início da semana que vem”, disse aos jornalistas. Segundo o ministro, nesta terça-feira (7) houve mais uma rodada de negociações técnicas com o escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), dando continuidade às conversas iniciadas na última quinta-feira. De acordo com ele, as discussões foram divididas por tópicos e, nesta etapa, trataram do pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ampliar a cooperação bilateral no combate ao crime organizado e ao crime transnacional. “Hoje nós tratamos de um pedido que o presidente Lula tem feito ao governo norte-americano para que nós tenhamos uma atuação integrada no combate ao crime transnacional, ao crime organizado, e há um reconhecimento de que é possível avançarmos nesse ponto”, afirmou. Elias Rosa acrescentou que o Ministério da Justiça detalhou aos norte-americanos uma proposta de cooperação bilateral nessa área. Segundo ele, as conversas devem ter continuidade ao longo da semana. O ministro ressaltou que, embora os encontros sejam classificados como técnicos, eles também envolvem questões políticas. “Quando a gente fala em reunião de natureza técnica, não significa que não serão discutidas questões políticas. A oferta feita nessas reuniões de alto nível se segue depois da discussão de um outro nível para detalhar como é que isso pode ser construído”, explicou. Etanol dos EUA Elias Rosa afirmou que uma eventual abertura do mercado brasileiro ao etanol norte-americano não deve ser discutida no âmbito das negociações comerciais com os Estados Unidos sem que também haja avanços em relação ao açúcar brasileiro, que enfrenta sobretaxas no mercado americano. “Uma pena que algumas pessoas pensem de outro modo e queiram estabelecer um regime paritário entre o etanol brasileiro e o etanol americano, para que ele possa, o etanol americano, entrar no país com facilidade. O Brasil vem negociando esse tema com muito cuidado, com muito cuidado”, disse na sede da pasta. “Esse é um setor muito importante, sobretudo no Nordeste do país. A produção de etanol e, eventualmente, a abertura do mercado para o etanol norte-americano colocaria em risco, sobretudo, a produção do etanol no nordeste do país. E a gente precisa ter um olhar muito cuidadoso para essa área, que é uma área que já vem sofrendo, aliás, uma redução de preços e a gente precisa ter muita atenção”, acrescentou. Em relação ao açúcar, Elias Rosa afirmou que o produto enfrenta uma sobretaxa de quase 100% nos Estados Unidos. “Nós não podemos dissociar uma discussão da outra, porque todos são ligados à mesma cadeia produtiva”, disse. Ele também evitou comentar sobre a atuação do senador Flávio Bolsonaro nas negociações das tarifas junto aos Estados Unidos. “Eu prefiro falar absolutamente apenas aquilo que, de fato, está ocorrendo, que tem, de fato, essa representação importante para a negociação. Acho que nós devemos focar agora, o prazo é curto, nós devemos focar naquilo que pode dar resultado positivo para o Brasil”, comentou. Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil