Ministro de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sem citar nomes, criticou a atuação de agentes políticos que tentam politizar a disputa comercial entre os dois países A nova reunião de alto nível entre o governo brasileiro e o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) para discutir a investigação comercial aberta contra o Brasil com base na Seção 301 teve entre os temas o combate ao crime organizado transnacional, segundo o ministro de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa. Após participar remotamente da reunião, realizada na manhã desta quinta-feira (2), o ministro afirmou que novos encontros estão previstos para os próximos dias com o objetivo de construir uma solução de consenso antes do fim do prazo de 15 de julho para um acordo. “Em cada uma dessas reuniões temos avançado um pouco, mas o tempo conspira contra porque nós temos que chegar até 15 de julho com um acordo”, disse após participar do Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, na sede do BNDES. Segundo o ministro, questões políticas e ideológicas têm atrapalhado as negociações. “Todas as vezes que nós caminhamos positivamente parece que surge algum empecilho, um atropelo e nós precisamos superar.” Sem citar nomes, ele criticou a atuação de agentes políticos que tentam politizar a disputa comercial entre os dois países. “Essas pessoas sempre dificultam muito o trabalho. Não porque são capazes de causar algum alvoroço, mas porque elas poluem o debate político ou colocam no debate que é econômico e comercial, um componente político que não deveria estar.” O ministro ressaltou que o governo brasileiro tem atuado para manter o foco em aspectos econômicos. “Não cabe na mesa de negociação da economia e do comércio bilateral questões ideológicas, eleitoreiras ou pessoalmente oportunistas. Estamos enfrentando isso com a serenidade que o tema exige”, disse. Segundo Rosa, o Brasil voltou a propor maior aproximação entre a Polícia Federal e as autoridades americanas para enfrentar crimes como lavagem de dinheiro, organizações criminosas transnacionais e imigração irregular. Ele explicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia apresentado o tema ao presidente Donald Trump durante encontro realizado em maio, e que o governo decidiu retomar o assunto após ficar sem resposta. “O presidente Lula propôs, não tivemos uma resposta e, no contexto da 301, na nossa avaliação, cabe dizer isso. Nós vamos discutir questões associadas à criminalidade transnacional”, afirmou. O secretário reiterou que a orientação de Lula é manter as negociações até o fim. “O presidente Lula nos orienta: ‘Nunca saiam da mesa de negociação’. Se o Brasil sair da mesa de negociação técnica, vai cair no equívoco daqueles que patrocinam o unilateralismo”, declarou. Segundo Rosa, o governo brasileiro e o USTR também debateram propriedade intelectual e comércio digital na nova rodada de negociações. Na área de propriedade intelectual, o governo brasileiro tem defendido que o país já segue padrões internacionais, mas está disposto a aperfeiçoar sua legislação. Sobre comércio digital, citou as discussões envolvendo a política brasileira para data centers. Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil