Governo quer avaliar consequências econômicas da medida anunciada pelos EUA e discute resposta baseada na defesa da soberania brasileira O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversa com a imprensa após encontro com Donald Trump nos EUA — Foto: Saul Loeb/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/05/2026 - 10:56 Lula pede análise sobre impacto de designação do PCC e CV como terroristas pelos EUA O presidente Lula solicitou ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, um estudo sobre os impactos econômicos da designação do PCC e CV como organizações terroristas pelos EUA. O governo busca entender as repercussões dessa decisão, com foco na soberania nacional e na cooperação bilateral contra o crime organizado. A medida dos EUA pode afetar instituições financeiras ligadas ao sistema americano. O governo ainda avalia sua resposta oficial. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, um levantamento dos possíveis impactos econômicos da decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Segundo auxiliares do governo, a equipe econômica iniciou um mapeamento dos possíveis reflexos da medida e busca identificar quais setores podem ser afetados e como mensurar eventuais impactos decorrentes da decisão americana. A avaliação ocorre em meio à mobilização do governo federal para definir uma resposta oficial ao anúncio feito pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. O tema deve ser discutido ao longo desta sexta-feira em reuniões no Palácio do Planalto, incluindo uma possível reunião entre Durigan e equipe da Casa Civil. Nos bastidores, auxiliares de Lula afirmam que o presidente foi surpreendido pela forma como a medida foi anunciada e considera que o governo brasileiro deveria ter sido informado previamente. A principal preocupação do Planalto é evitar que a classificação abra espaço para interpretações que possam justificar ações unilaterais dos Estados Unidos em temas considerados de competência exclusiva do Brasil. O governo pretende reforçar o discurso de defesa da soberania nacional ao mesmo tempo em que busca preservar a cooperação bilateral no combate ao crime organizado. A classificação anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, enquadra PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas para fins da legislação americana. A medida amplia instrumentos de bloqueio de ativos, restrições financeiras e punições a pessoas ou empresas que mantenham relações com as organizações criminosas. Especialistas avaliam que os principais impactos imediatos tendem a recair sobre instituições financeiras e operações que tenham conexão com o sistema financeiro americano. O assunto ganhou ainda mais visibilidade política após a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos nesta semana. Integrantes do governo avaliam que a decisão americana deverá pressionar o Planalto a se posicionar publicamente, mas defendem cautela para evitar que críticas à medida sejam interpretadas como uma defesa das facções criminosas. Até o momento, o governo não definiu se divulgará uma nota oficial ou se o próprio presidente tratará do tema em agenda pública ainda nesta sexta-feira.