Presidente critica classificação das facções pelos EUA, cobra extradição de brasileiros foragidos e afirma que Washington não deve "brincar com a soberania" do país O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversa com a imprensa após encontro com Donald Trump nos EUA — Foto: Saul Loeb/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/05/2026 - 12:49 Lula critica decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas O presidente Lula criticou a decisão dos EUA de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras, afirmando que, embora espalhem medo e violência no Brasil, não se encaixam na definição de terrorismo usada por Donald Trump. Lula destaca que as facções são vistas como terroristas pelos brasileiros, mas contesta a visão externa imposta pelos EUA. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta sexta-feira a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Em discurso, Lula afirmou que as facções são uma ameaça para a população brasileira, mas rejeitou a forma como o governo do presidente Donald Trump trata o tema e disse que o combate ao crime organizado deve ser conduzido pelo próprio Brasil. — Hoje eu estou muito triste, hoje é um dia decepcionante. Estou muito triste com a notícia de que o secretário dos Estados Unidos, um tal de Marco Rubio, disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção — afirmou. Lula destacou o impacto das facções sobre comunidades brasileiras, especialmente nas periferias, mas reforçou que elas não se enquadram no conceito de terrorismo frequentemente utilizado pelos Estados Unidos para grupos extremistas internacionais. — Esse tal de Comando Vermelho, esse tal de PCC, eles são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade, para o povo da periferia deste país. Eles incomodam famílias, bairros e cidades. Então eles são terroristas e nós vamos combater eles aqui dentro. Nós aprovamos uma lei antifacção e uma lei de combate ao crime organizado. Eles não são os terroristas que o Trump quer — declarou. Na sequência, o presidente afirmou que os Estados Unidos poderiam colaborar com o Brasil por meio de cooperação policial e da extradição de brasileiros procurados pela Justiça. — Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos — disse Lula, ao citar o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, e o empresário Ricardo Magro. — Nós não aceitamos ser tratados como moleques. Nós não aceitamos ser tratados como se fossemos uma republiqueta. O presidente também afirmou que entregou pessoalmente a Trump um documento propondo cooperação bilateral contra o crime organizado durante reunião entre os dois líderes no começo deste mês. — Eu tive três horas com o presidente Trump. Entreguei quatro documentos, um deles era o combate ao crime organizado. O seu Marco Rubio não estava lá. Possivelmente porque ele estivesse preparado para ajudar um filho de um bolsonarista que é candidato a eleição aqui nesse país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria. De ir aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil. O presidente também relacionou o episódio à defesa da soberania nacional. Segundo ele, o Brasil possui riquezas estratégicas que exigem atenção do governo brasileiro, como minerais críticos, terras raras, água doce e a Floresta Amazônica. — Isso aqui não é um país qualquer. Temos muitos minerais críticos, terras raras, ouro, diamante, a maior floresta tropical do mundo e 12% da água doce do planeta. Daqui a pouco ele diz: 'a Amazônia é nossa'. Não — afirmou. Ao final, Lula disse que o Brasil manterá uma relação respeitosa com os Estados Unidos, mas não aceitará interferências externas. — Eu não falo grosso com a Bolívia e fino com os Estados Unidos. Eu falo educadamente com os dois porque eu quero respeito e preciso ter respeito para respeitá-los. Não brinquem com a soberania deste país, não brinquem com a nossa democracia — declarou. O presidente ainda defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública como instrumento para fortalecer o combate ao crime organizado no país. — Se quiser combater o crime organizado, não precisa pedir ajuda para ninguém. Aprove a PEC da Segurança Pública — afirmou.