O presidente nacional do PT, Edinho Silva, criticou nesta sexta-feira (29) a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, e alertou sobre os riscos para a soberania do país. O dirigente petista avaliou que, assim como no anúncio do “tarifaço” em 2025, empresários e investidores brasileiros poderão ajudar na pressão para que o presidente americano Donald Trump recue da medida no Brasil. “O sistema financeiro brasileiro sabe que é grave o que a família Bolsonaro fez. Eles sabem disso. As empresas brasileiras que atuam e são competitivas no exterior sabem que o que eles fizeram é de uma gravidade ímpar”, afirmou Edinho, referindo-se à atuação da família Bolsonaro para que Trump anunciasse essa decisão na quinta-feira (28). Dois dias antes, o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reuniu-se com o presidente americano na Casa Branca, em Washington. O dirigente do PT acusou a família Bolsonaro de buscar o governo dos Estados Unidos para “enfraquecer a soberania brasileira, trabalhar contra os interesses das empresas brasileiras e trabalhar contra os interesses do sistema financeiro brasileiro”. “É gravíssimo. Eu espero que não só os atingidos possam reagir, mas que o povo brasileiro reaja. O Brasil é um país soberano, tem um povo soberano”, declarou a jornalistas, depois de participar de um evento da pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, promovido pela Fundação Perseu Abramo, em São Paulo. Edinho colou a imagem de Flávio à tentativa de enfraquecer a soberania do país e ressaltou as ações do governo Lula para combater facções criminosas. Segundo o presidente do PT, Lula deve buscar o diálogo com Trump para rever a medida e lembrou do encontro que os dois presidentes tiveram no início do mês nos Estados Unidos. O presidente do PT voltou a defender a aprovação da PEC da Segurança pelo Congresso, principal bandeira do governo Lula na área de segurança. “Se tem um governo que está combatendo o crime organizado, é o governo do presidente Lula”, disse. “Nos preocupamos que esse anúncio dos Estados Unidos, estimulado pela família Bolsonaro, crie o precedente para retaliar as empresas brasileiras, para impedir que as elas atuem e invistam nos Estados Unidos. Não precisamos de medidas que afrontem a soberania nacional”, declarou o dirigente. “É submeter o Brasil aos interesses internacionais. Infelizmente, mais uma vez, a família Bolsonaro, em vez de defender os interesses do povo brasileiro, está defendendo os interesses americanos.” Trump nas eleições do Brasil Edinho, no entanto, disse não acreditar que Donald Trump deve fazer uma interferência direta na eleição presidencial brasileira. “Acredito que são informações equivocadas, que foram levadas pela família Bolsonaro. Infelizmente, o governo americano, se moveu mais ideologicamente por uma afinidade com a família Bolsonaro, do que interpretou as informações e o que acontece no Brasil.” “As nossas empresas são fortes. O sistema financeiro brasileiro é robusto. Tomar medidas para enfraquecer e colocar em risco tudo isso, penso que faz perder apoio eleitoral.” — Foto: Rogerio Vieira/Valor